Eu não teria apostado uma só moeda se me pedissem para palpitar se haveria um segundo dia. Se você visse minha cara de quem incendeia por incendiar e lesse meus pensamentos de quem ouve por ouvir, não apostaria trocado algum que eu atravessaria a fronteira com apenas uma bagagem de mão.
Mal posso explicar como parei nessa cidade acalorada, e onde eu aprendi a falar essa língua bonita, que espalha frases demoradas. Tão naturais quanto os olhares de estranhamento que as pessoas disparam em minha direção, enquanto simplesmente atravesso a rua vasculhando a bolsa atrás das minhas chaves de casa.
Não sei quantos dias minhas moedas ainda serão suficientes para pagar a estadia. Mas, exatamente por não ter apostado que gostaria tanto daqui, tenho algumas de sobra. Também ouvi cochicharem que o banco está flexível. Sei que um carimbo verde vai colorir a minha folha de requerimento. Posso pagar com tempo e calmaria.
Esqueci de pedir o mapa de turistas e erro algumas ruas para voltar para a casa quando saio a noite. E ainda assim eu gosto de tentar. Gosto de sentir o vento quase-gelado-e-ainda-quente do entardecer, sem a preocupação de arrumar os cabelos ao vento. Pelo contrário. Tenho andado com naturalidade, e de tão despreocupada e à vontade, ouvi dizer estar melhor. Melhor. Maior.
Abri as janelas para uma cidade hospitaleira. E no horizonte vejo o caos urbano que deixei pra trás. Apressado em cumprir os horários, em tomar o café da manhã plastificado e ser tão bonito quanto um manequim. Que deixa o coração em casa e esquece de ordenar que os olhos escondam a sinceridade de quem tem medo de seguir o que gosta.
Entrei no terceiro trem e saí de férias.
Adorei a tipografia do seu blog, e a forma como você escreve bia! um beijão, siga escrevendo e esvaziando a cabeça sempre (: