Lobato

Não poderia ser uma festa natalina, dia das mães, apresentação de ginástica rítmica ou ação de graças. E nada disso é culpa das bandeirinhas que indicavam a festividade junina. Elas funcionaram como simples adornos. O fim justificará a introdção.
Em meio a uma aglomeração de conhecidos e amáveis desconhecidos não havia como fugir sem faltar com a educação. Mas, nada que pessoas com menos educação ainda não possam cortar a conversa e salvar a falta de assunto.
Eu só não senti a sensação de um dejà-vú porque me lembro perfeitamente do cenário anterior. Porque as condições foram tão parecidas que se isso não for charme e implicância, é personalidade. O orgulho transbordando pelas listras pode te dar sensação de poder, mas pra mim te ver quase amuado esperando reação é fraqueza. Poder passa s ser merecimento de quem faz e tem a situação na palma da mão.
O raciocínio já conhecido de sair quebrando a cara para não me odiar pela manhã foi o mesmo porém, quase tardio. Quando o relógio quase quebrou eu pude perceber o quanto aquilo tudo era importante e faria sentido pra mim. Mas, como que para compensar a não-surpresa da sua presença, pude surpreender-me com a sua reaparição. Meu subconsciente está tão calejado com a teoria que automaticamente faz a contagem para o consciente criar (ou acionar) as pernas, e juntar fragmentos rápidos como as batidas cardíacas. A cena nunca muda muito. O meu excesso de palavras, sua sobra de vergonha. Mas, opa. Essa cara e essa pressa eu não conhecia. Sou eu que te mando não se atrasar!
Se eu pudesse ver a minha cara no instante seguinte ela, de fato, seria um tanto quanto interrogativa. Acho que ninguém absorveu muito daquilo tudo. O apoio provém de uma grosseria altamente peculiar e geniosa, da qual eu não deveria mais dar muita atenção. Em contrapartida, a mesma mente é sempre a responsável por me levar a atos de loucura. E quase como uma volta por cima já me sujeitei à observação, campo de iniciação. A novidade é algo de fato, novo. Está anotado, graças aos olhares de volta.
Mas, uma conversa normal me pegou de supresa, em ambos sentidos, me arrastando para de trás de bambus. Onde pude constatar friamente sua falta de jeito e insegurança. Se tivesse parado por ai, não teria sido nada novo pro seu perfil. Nada pior que risadas espontâneas e, com os olhos, direcionadas para causar dúvida. É algo como sentir-se patética por tentar, por não esperar. Onde acaba todo o encanto de ser idiota, e passa a ser alvo de comentários destorcidos pela própria fonte.
Como diria a minha mãe, pessoas da cidade com falta de jeito para com tudo e vergonha demais, não precisam nem mesmo de chapéu e camisa xadrez. Ainda me acho otimista por natureza por imaginar continuidades felizes e floridas. Tudo bem, quem disse que essa tambem não pode ser uma boa continuidade? Encerro meus esforços, distribuo meu tempo e abro as gavetas. Se ainda não foi: adeus.

Nozes

Não preciso ao menos pensar em me enganar, mentir para mim mesma seria burrice demais… É óbvio que grande parte inconsciente nutria esperanças esfarrapadas. Como não foram atendidas, acho até melhor, cair na tentação por falta de orgulho não nutri auto-imagem.
Pra que se preocupar em nutrir imagem quando se tem pessoas de papel, prontas para preencherem lacunas? E eu não ouso me sentir patética por isso, apenas aceito a condição que as próprias pessoas criaram para elas. Aceito e uso, muito bem por sinal. Agora eu posso entender porque algumas pessoas possuem o vício da isca. É extremamente gratificante sentir-se à beira do barco enquanto ainda se está no mar. O ego agradece.

Terra batida

Sinto-me injustiçada e desgastada por ser tomada de surpresa por algo já batido. Mal posso aceitar sua incredubilidade por suas palavras não surtirem efeito. Passa a ser fácil exigir de mim uma postura otimista extrema e, principalmente, desapego quando nunca se está sozinha e em tempos acredita estar morrendo de amor.
É como estar satisfeito e julgar alguém com fome. Inteiramente injusto e sem fundamento. Você se esforça por não falar da sua devida alegria de viver. Algo difícil perto de quem tenta sem sucesso ter alguns dias de conforto e certeza. Muito difícil… Reconheço a boa vontade e dispenso o sermão.
Não me peça para trair a mim mesma. Não me peça para engolir algumas verdades. Porque isso tudo eu posso fazer sozinha.

Laranja

Surreal e quase utópico. Quase, pois apesar de eu ter escrito “su”, tudo isso é de fato real. Eu tentei deixar as coisas fluirem normalmente, mas os nervos quase explodiram à flor da pele. Respirar fundo é um segredo e tanto.
Começar do zero é uma tarefa difícil. Difícil, impossível jamais. Ainda mais considerando todos os instrumentos disponíveis para tal. Não perdi tempo em notar o quanto a realidade é outra. Os personagens são outros e não há comparação viável. Mas, hoje até os pontos positivos me assustam. Desesperam o suficiente para minha vontade de correr de costas ser considerável. Cifras me seguram. Futuro me segura. A pressão não é pouca, o tempo livre é escasso e o medo é absurdo.
É meu sonho dependendo unicamente de mim mesma. E para ele não posso dar as costas.

Mendo

Esqueço tudo o que veio antes. Para mim os minutos não foram o pós, mas sim o evento propriamente dito. Nesses simples momentos eu me fortaleço, enxergo o horizonte no fim da estrada e faço planos. Algo como viagens loucas, com poucas blusas e nenhum calçado além de chinelos. Umas idéias malucas dentro de uma Kombi e risadas.
Já não demora para estarmos ao sol do meio-dia com óculos de sol e chapéus de palha. A gente ri incansavelmente e corremos pela areia, vestindo umas saias compridas e malucas.
Nós três estamos livres, otimistas, e felizes. Sem sair da cozinha.

Abracadabra

Egoísmo. Obviamente esse é um sentimento que leva seres com corações a sentirem inveja.
Sempre me falaram muito sobre inveja como algo unicamente ruim… Não que agora eu me ache capaz de comprovar como a+b que inveja é algo bom. Não me arriscaria nessa matemática barata! Estou mesmo é falando daquela inveja que bate de canto, naturalmente e sem o cruel objetivo de arrancar o utópico dos outros. É puramente um sentimento onde revela-se um reconhecimento de dentro pra fora.
Não posso simplesmente compreender como algumas pessoas conseguem o que querem sem grandes esforços. Enquanto utilizo minhas fichas e meus esforços para ser. Ser e estar.
Quando fecho os olhos para tentar achar alguma resposta convincente, escuto algo sobre tempo, algo sobre ter paciência e esperar. Como quando menos esperar irá aparecer.
Mas, começo a folhear alguns livros para recolher informações. E quando peço ajuda me aconselham a correr atrás. Mas, eu queria saber qual seria a resposta se eu perguntasse sobre o que há de errado. Já me esforcei para esperar, ainda mais para buscar e até mesmo fingi não estar nem aí. E nada.
Cansa bastante viver aos tropeços, onde às escuras vou vasculhando algo para me apegar. Cansa passar cada uma das valetas sem ter pelo que recompensar no final.
Não queria nada muito complicado… Um saquinho cheio de carinho e alguns erros para superar seria suficiente. Algo justo pelo o que eu me esforço. Como cores e borboletinhas.
Não tento repitir e copiar, nem mesmo tento ocultar meus defeitos. Não preciso que me façam promessas, eu apenas me considero merecedora.
Mas e quando não há mais onde inovar e ninguém pode mudar? Não há conformismo, não há como perder o que ainda não se tem.
E temos tão pouco tempo…

Suíça

Certas situações demonstram risco. Não vou mudar, mas minha postura passou a ser outra. Afinal, são seis anos de consideração contra um ano e meio de carinho recíproco.
Se meus dedos agirem após meu consciente relutar, será para apaziguar. Para evitar situações comuns e infantis demais, onde a falsidade vem muito acima da consciência leve.
Nesse momento, preciso tentar pensar em mim. Nesse momento, nada como ser um país neutro.

Eco

Está tudo bem, está tudo certo. Não pense que dessa vez vou me sucumbir a possibilidades que te favoreçam. Hoje apostarei nas piores possíveis, afinal elas me fortalecem permanentemente. Está tudo realmente certo se você acredita que assim tem que ser, eu nem mesmo penso em abaixar minha cabeça.
Já passei por coisas, de longe, muito piores. E aliás, eu me conheço, sei que assim sou bem melhor.

Alicerce

Essa programação pacata me agrada mesmo. E a perspectiva menos dramática me equilibra. Mas, aposto algumas moedas que isso acontece devido a alguns quilômetros longe da minha fraqueza. E isso é tão egoísta… Mas, hoje eu não quero dar a volta por cima, não hoje.
Não demora nada para que eu seja pega novamente com a sensação de crescimento. A vida realmente me surpreende, e eu não demoro nada para reconhecer que a figura forte e confiante é tão vulnerável a erros como eu. Isso é tranquilizador, tanto pelo lado egoísta de não ser a única a sofrer, quanto pelo lado incentivador de ter tanto potencial quanto.
Igual para igual. Vejo tudo por um lado simplório e viável, onde a amizade cresce surpreendentemente. Daí a gente entende que nada é como nos filmes, principalmente na parte em que as amigas de infância viram madrinhas de casamento. Por mais frustrante que seja, é também muito bom.
Eu, de fato, não seria metade do que sou se não tivesse sofrido no começo. Numa visão geral, posso até arriscar que já me torcei mais forte do que quem sempre me pareceu inabalável.
Não há do que se queixar, tenho muitas histórias para enfrentar e um belo alicerce para me escorar.