Mocha

Algumas explosões vêm para o bem. E trazem certo tipo de calmaria e silêncio após toda a confusão.
Esss dias foram todos tão idênticos que às vezes me confundo quando é que cada detalhe aconteceu, fico com a impressão de que esses cinco dias poderiam ser todos um só, com algumas horas a mais de duração. Ou até quem sabe somente com vinte e quatro horas mesmo… Afinal, teria dado tempo de sobra para que as coisas importantes da semana toda acontecessem.
É extremamente insatisfeito da minha parte reclamar de “barriga cheia”, mas o que é que eu posso fazer quando sempre queremos mais? Vestir roupas semi-novas, aplicar maquiagem e pentear os cabelos não está sendo o suficiente quando o que eu gostaria é de estar vestindo saltos, quem sabe pronta para matar.
Sempre fico nostálgica, desesperada, e certo ponto desanimada nessa época do ano. É como se eu tivesse que fazer tudo correndo antes que o ano acabasse, como se o fato de eu ir viajar fosse determinante para que tudo que eu deixei para trás pegasse fogo, no bom sentido.
Mas, tá tudo bem. Tomar café gelado, falar das novas táticas, encontrar munícipes e dar umas risadas é sempre revigorante e válido, mesmo quando os planos foram bem mais sonhadores, maiores e ambiciosos que isso.
O pior ou melhor disso tudo é que eu não perco as esperanças. Além de ter dois dias do fim de semana pela frente, ainda tenho um ano inteirinho me esperando voltar de viagem…

Good People

Conhece aquela história de que os exercícios físicos proporcionam prazer? É inteiramente estranho e contraditório eu assinar em baixo, mas caminhar entre as árvores não pode me levar a outro tipo de conclusão. A dor nos pés, a sensação de formigamento nos dedos e as panturrilhas em chamas perdem força para o bem-estar que é estar entre árvores altas, com raízes grossas e folhas verdes. Trilhada por boas músicas os pensamentos voam longe, e são em grande parte felizes. Chego até a esquecer como está abafado e como o céu está cinza, afinal ainda existem raios de sol às cinco da tarde.

Branco

Pra jogar War eu recebi os pinos brancos por, segundo disseram, serem da cor da yoga. Branco me lembra mais que isso pois me lembra, inclusive, o quão paciente, detalhista e simpática eu preciso ser. Três palavras brancas.
Uma caixa com pinos e pecinhas estranhas aliados a alguns dados, agora só preciso que o tabuleiro com as cartas desafiadoras sejam postos na mesa. Porém, antes mesmo do jogo começar já possuo minha carta com o objetivo. E desta vez a missão é bem mais simples do que derrotar o exército vermelho ou conquistar o Oriente Médio em sua totalidade.
Meu empenho depende da minha manipulação dos peões, mas não é independente da sorte com os dados. E pra essa parte eu sou otimista, até porque nesse jogo todos estão prontos para as marés de azar e principalmente prontos para se divertirem.
Confesso que jogar quando não se tem vontade é sempre uma tarefa pesarosa, mas minhas tardes quentes de férias não me trazem idéias melhores para ocupá-las a não ser aprimorar minhas táticas de blefe. Não passam de frases e atos iniciantes, até porque como já citei à ventura não pretendo me arriscar em jogos profissionais. É muito mais divertido e proveitoso quando se pode jogar no anonimato tendo o mesmo desempenho ao fim do jogo.
Levar o mérito não é a grande graça. Não por princípios que dizem que “o importante é competir”… Algumas vezes, confesso, adoto esse tipo de discurso consolador. Mas, pretendo chegar ao fim de meus objetivos e atingir a última casa do tabuleiro – se ela existir -, pronta para a nova rodada onde os desafiadores não sejam sempre repetições.
Assim, poderei usar como experiência e tática (além de outros benefícios ao ego) todas as jogadas onde eu consegui provar para mim mesma que sim, dá pra ser inteligente e perspicaz.
Alguns jogos arcaicos e primitivos onde eu sou obrigada a manter meu peão firme e forte, não são os melhores passatempos. E costumam destruir todos os bons pensamentos em relação a todo outro tipo de vida do lado de fora. Já fui mais paciente e compreensiva, mas nos dias atuais qualquer ato infrator em relação às regras do jogo que você utiliza para avançar casas me derrubam. E me fazem perceber que em alguns jogos as regras são manipuladas para que sempre haja o mesmo vencedor. Mas o que me fere e abala a estabilidade do meu peão com mais intensidade, é a maneira como você descarta e rouba cartas favoráveis para eliminar jogadores.
Preciso ser o pino branco, para tentar manter o equilíbrio e o tabuleiro sob controle.

KiwiSuper

Domingo é domingo. Até mesmo os de férias tem cara de domingo, mas o que muda é que não sinto aquele terror pela segunda-feira… E olha, já é uma mudança enorme.
Estou um tanto quanto empenhada em algumas tarefas de férias. Tudo se resume em compras de novos artigos de decoração… Mas somente olhar a vitrine tem se tornado uma tarefa massante. E aos fins de semana, ainda mais em época de natal, as lojas tornaram-se lotadas. Fica complicado querer analisar cada peça com cuidado, cada quadro com atenção enquanto milhões de pessoas transitam na sua frente.
O único inconveniente de se aventurar a fazer compras é querer comprar o que você sabe que não precisa, e principalmente, o que não presta. Quadros que custam um preço consideravalmente alto, mas que não são de procedência tão fina e confiável…
Mas, não há quem não concorde que são os mais atrativos na hora de passar pelo caixa! É chato comprar artigos sérios, e que combinam com todas as tendências da moda. Por mais que o preço compense pela durabilidade, enjoa.
Mas, as lojas não ficam abertas de domingo até tarde… Afinal, domingo é domingo.

Tarja Preta

Nada pior que descobrir na sexta-feira que seu fim de semana está aparentemente arruinado. Ok, tudo bem. Eu disse que havia tomado uma postura otimista, agora tenho mais é que assumi-la principalmente nas situações em que tudo indica que não será muito possível.
Preciso lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros. Ou melhor, talvez seria melhor não lembrar em não me concentrar em ter problemas futuros. Ou talvez para isso seja melhor eu lembrar em não lembrar de precisar lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros.
Uau.
Tudo consiste nos momentos em que minha cabecinha fica sem ter no que pensar. Ou melhor, em que minha cabecinha pensa demais em pensar e em resolver tudo de uma maneira precisa, quadrada e cheia de critérios. Nesse quesito ainda há muito que aprender…
O dia certamente amanhecerá radiante, eu só espero não sentir muito sono e não estar mais tão doente. Sempre fico doente nas horas erradas… Se bem que pensando assim, conclui-se que todas as horas são erradas. Afinal, me diz quando é que eu não estou doente?
Estou praticamente em crise. Estava até agora a pouco sem saber o que escrever mas num surto de confronto pessoal meus dedos começaram a conseguir acompanhar meu raciocínio. Só resta saber se são meus dedos que estão completamente treinados e habilitados a serem eficientes, ou se são meus pensamentos que estão afetados pelo sono e pelo horário já meio tardio.
Ah, preciso de um curso de datilografia, se é que eles ainda existem. Não, não é porque eu acabei de constatar que meu sono está debilitando meus pensamentos, e sim porque o não uso de alguns dedos principalmente da mão esquerda andam me irritando profundamente.
Está vendo só? Eu até tenho no que pensar. O problema é que não consigo não pensar em certas situações, e devo confessar, em certas realizações. Ahh, vai me dizer que não foram realizações?
Fui vencida pela resistência – ou seria insistência?- do meu sono. O melhor a fazer no momento é me deitar, ler um livrinho e dormir pronta pra ter sonhos bons, de preferência não aqueles que me fazem ficar pensante e quase em crise o dia todo a beira de um surto psicótico. Além de exagerada, devo citar.
Tudo bem. Minha última revelação da noite será assumir que sim, eu espero ter essa noite sonhos tão bons quanto os da noite passada. Deixe que causem surtos, crises, contradições e textos gigantescos, afinal ver aquele sorriso, aquelas mãozinhas e aquelas poucas palavras me alimentam e me fazem querer viver esse fim de semana aparentemente arruinado.

Celebration

Essa palavra pode soar exagerada, abusada e até ridícula. Mas tem um caimento incrível, ao meu ver, para as situações marcadas nesse dia.
Quem faz aniversário durante os dias úteis da semana só pode esperar que o fim de semana sirva de comemoração, por mais que tenha havido uma provisória. E mais do que fazer uma comemoração, houve uma celebração. Não só dos tais dezesseis anos de vida, mas propriamente dizendo de uma nova fase de vida.
Confesso que me envergonho um pouco ao lembrar, e principalmente, citar os bloqueios que me sujeitei no início do ano. Quando eu digo que mudei e as pessoas duvidam é porque elas simplesmente não podem sentir a diferença que eu sinto ao me ver sem as paredes que me enquadravam.
Quando a gente percebe que não há muitas escolhas e tem mais é que se arriscar, o campo de visão amplia, e se você souber aproveitar cada uma das situações você cresce. Como eu cresci.
É simplesmente pouco inteligente se deixar levar por modelos estipulados sabe-se lá por quem e impedir a si próprio de viver certas amizades e certos momentos. E quando eu digo que cresci, é porque aprendi que você não precisa ser exatamente como seus amigos e muito menos fazer o que eles fazem. Aceitação e personalidade são duas coisas que andam juntas e podem muito bem serem construídas juntas.
Decorrente disso em alguns pontos (alguns, não todos) eu mudei. Mudei porque cresci, cresci porque mudei. Pode soar confuso ou até mesmo com o mesmo significado, mas além de abrir meus horizontes para as pessoas ao meu redor eu abri os horizontes para mim mesma. Assim, aprendi a começar a me dar as oportunidades de viver e aproveitar como deve ser. Algumas formalidades ainda precisam ser abandonadas, mas nada como uma sexta-feira para servir de formatura.
E essa sexta-feira serviu para eu perceber cada uma dessas diferenças a qual me sujeitei, percebendo que sentirei falta de certas personalidades difíceis que foram importantes para que essa fase fosse alcançada.
Além do mais, serviu – e talvez principalmente – para eu provar somente para mim mesma que certas atitudes não condenam e não prejudicam, além de fazerem bem para uma tal de alto estima.
Ao mesmo tempo que trás benefícios faz com que eu perceba que definitivamente não estou pronta, e nem pretendo, sujeitar-me a algumas decorrências. Aliás, nem preciso.
Tenho completa certeza de que há quem critique e considere tudo isso influência e bla bla bla. Mas eu me sinto bem e acho que tudo isso é pouco, pequeno e até mesmo idiota para que exista explicações.
Claro, não poderia deixar de citar como o mundo dá voltas… Gosto tanto disso!
Ahh, aaaah. Depois da formatura, vem o colégio. E no colégio…

Encontro

É mais que comum ouvir alguém falar sobre o quanto as despedidas são tristes. Principalmente nos filmes românticos, lindos e chorosos as despedidas chegam a doer em quem assiste de tão sentimentais e sofridas que aparentam ser.
Mas eu particularmente nunca passei por situações de despedidas tão avassaladoras desse jeito. Nunca sofri mais que amigos na rodoviária e último dia de aula – que não chega a ser uma despedida propriamente dita.
Na verdade, minhas despedidas em rodoviárias são divididas em dois blocos. Um em que as lágrimas foram de premeditação e na segunda fase foram suspiros de alívio, e outro bloco onde as despedidas são marcadas com abraços e sorrisos. E é deste que eu gosto.
Não que eu goste e seja a coisa mais agradável do mundo ver uma grande amiga entrar num ônibus que irá, mais uma vez, nos separar com cinco horas de viagem. Mas nossas despedidas são sempre tão positivas e sem sofrimento, que chega a ser engraçado.
Tudo não passa, mais uma vez, de uma porção de otimismo. Não há motivos para eu me afundar em prantos quando eu sei que a distância será um detalhe, muitas vezes chato, mas pequeno. Esse tipo de despedida é um tanto quanto otimista pois me traz a sensação de que outros bons momentos estão por vir. Afinal, não há como a pessoa retornar e trazer um monte de alegria se primeiro ela não partir.
Como diz a música de Milton Nascimento: “O trem que chega/ é o mesmo trem da partida/ A hora do encontro/ é também despedida”,
e se eu preciso escolher entre duas dessas palavras, realmente escolherei encontro. Pois só ela pode resumir a positividade da despedida e a certeza de que nem mesmo uma situação melancólica pode afastar e impedir a alegria de voltar, ou melhor, de ter de volta.

Cápsula do Tempo

E tudo começou na segunda-feira, quando num momento de pura falta do que fazer meu dedos no controle remoto direcionaram a televisão para o canal trinta. Entre algumas conversas dispersas e uns momentos de atenção, as imagens de One Tree Hill fizeram com que o silêncio permanecesse, e a partir daí surgisse a curiosidade.
Afinal o que de tão revelador havia sido registrado naquela cápsula do tempo para que tivesse vontade de violar as regras e deletar? Os extremos detalhes não me convêm no momento, mas só pra constar a tal personagem, que eu pra variar não me recordo do nome, havia revelado no vídeo gravado confidencialmente que era lésbica. E por outros motivos que desconheço, afinal estávamos conversando em todas as cenas anteriores, ela precisava desesperadamente deletar todos os fragmentos dessa revelação.
Além de contar com a ajuda do personagem a qual o nome começa com a letra “m” para arrombar o cofre que guardava as fitas, me lembro que houve choros, arrependimentos e confissões. Por fim eles caíram na tentação e acabaram vendo outros vídeos de outras pessoas, o que acabou desencadeando uma revelação generalizada dos vídeos. No que essa história toda deu, no final, confesso que não sei. Sabe, não demorou muito para que a gente começasse a tagarelar e desviasse completamente a atenção.
Mas de qualquer maneira, os poucos minutos em que demos completa atenção ao seriado, foram de total efeito para que o dia seguinte marcasse história.
Após todo aquele clima de fim de festa, com os presentes todos abertos e as cadeiras postas de volta em seus devidos lugares cumprimos o que havia sido combinado: gravar a nossa cápsula do tempo.
M. V. de A., B. Vi de A. e G. P. de S. Três meninas de, respectivamente, dezenove, dezesseis e quinze anos com minutos livres na frente de uma câmera sem qualquer outra pessoa por perto, dizendo suas vontades e suas realidades em 2008 e tentando imaginar como estarão em 2013.
Aparentemente tudo soou como uma simples brincadeira, mas não é que isso causa mais impacto do que aparenta? Não posso, não quero e nem devo tentar relembrar e citar tudo o que eu disse no meu vídeo que durou quase oito minutos, afinal fomos fieis nas regras usadas no seriado em não revelar aos outros quais foram as considerações citadas.
Mas não há como não pensar e não pincelar sobre o assunto. Como é difícil e estranha a sensação de se imaginar daqui a cinco anos. CINCO anos… É tempo demais! Todas as perspectivas e sentimentos podem me parecer muito infantis e pequenos, ou engraçados, ou ultrapassados.
É estranho mais levemente corriqueiro não conseguirmos ter noção de como será o futuro ou até mesmo os próximos dias que estão por vir. Mas é pra lá de assustador não conseguir ao menos deduzir como você mesmo será daqui a uns anos.
Apesar de todos os medos, sensações estranhas e choros (!) decorrentes da gravação desses três vídeos, vejo tudo isso como uma postura otimista. Otimista por acreditarmos nas nossas permanências em vida – isso soa um tanto quanto macabro, mas não deixa de ser verdade -, e principalmente na permanência de nossa união e amizade. É quase como um pacto de amizade e de consideração.
LEMBRETE: ABRIR EM 25/11/2013

6teen

“Um ponto seeeeeeeeeeis!”, não foi a saudação mais calorosa da face da terra, mas já era de se esperar que esse seria o tipo de recepção que eu teria ao entrar pela cozinha no dia do meu aniversário.
Quer dizer, dizem por aí que era meu aniversário nesse dia… Porque até mesmo quando eu estive no meio de dois fortes abraços de parabéns não parecia que fazia um ano em que eu tinha completado quinze anos.
Mas não digo que por isso tive um aniversário ruim… Pelo contrário! Acredito que o fato de não parecer meu aniversário foi quase determinante para que eu tivesse uma terça-feira feliz. Afinal, o que se pode esperar para uma terça-feira de aniversário em meio a uma turbulenta semana de provas?
Eu só temi por me sentir mal pelo fato de estar tendo um dia banal para quem completa dezesseis anos. Mas, não passa de uma ilusão acreditar que tudo deve parar só porque faz mais um ano que você está vivo e cheio de saúde. A vida continua e o mundo não pára, até mesmo quando você está assoprando velhinhas.
Meu dia, inclusive, foi mais banal que o de costume. Como se não bastasse andar de ônibus e lavar alfaces ainda enfrentei crises contra o relógio e irritações de mãe via telefone.
Mas, novamente, acho que cada uma das banalidades foram importantes para que não fosse simplesmente um aniversário. E exatamente por isso eu devo confessar que me arrependi por ter feito um cochilo tão extenso…
Se tivesse sido simplesmente um aniversário eu provavelmente não teria tido uma metade de mim andando ao meu encalço o dia todo. E devo dizer que nada como ter um par de bochechas te seguindo pela casa!
Eu não teria tido uma comemoração tão pouco planejada e tão adequada para o que eu queria. E provavelmente não teria entrado em pânico ao me deparar com duas velas acesas esperando serem apagadas, e um bolo escrito “Parabéns” prontinho para ser cortado juntamente com o tal do pedido.
PEDIDO! Eu mal consigo me lembrar perfeitamente de qual foi o pedido que eu fiz ao cortar o primeiro pedaço de bolo debaixo para cima… Eu sempre planejava com antecedência qual pedido fazer, mas eu simplesmente havia me esquecido que não era mentira o fato de meu aniversário tger chegado, de novo.
Quando chega o fim da festa e os ponteiros do relógio indicam que falta muito pouco para você ter um dia além dos anos recém-completados bate aquela nostalgia de leve… Aquela impressão de que o dia seguinte não poderá ser tão bom quanto e de que tudo voltou ao normal.
Não quando você tem dois principais convidados debaixo de seu teto para te ajudar com os presentes e te dar os últimos parabéns num intervalo de um ano.

É estranho não conseguir entender como o meu aniversário passou e eu mal tive a percepção disso. A única explicação possivelmente aceitável é a de que alguns meses foram diretamente decisivos para que eu me transformasse e fizeram com que essa nova idade marcasse uma fase incrivelmente nova. As mudanças realmente caíram como uma luva nessa nova unidade a ser acrescentada nos anos de vida.
É como um marco onde posso dizer “Com quinze anos era assim… Com dezesseis já é assim!”. Ridiculamente, claro.
Agora que eu já tenho dezesseis e algumas horas é como se o dia vinte e cinco não tivesse passado propriamente dizendo, mas é como se eu já carregasse a positividade e as mudanças tão pouco notáveis.

Prova dos nove

Não adianta insistir em recolocar as cortinas onde estiveram antes de rasgarem se o vento está batendo forte. Ou elas despencam fracamente do varão ou suportam a pressão até desencadearem mais furos, inclusive em cima dos remendos já feitos.
Isso soa tão frio, mas acredito que a melhor solução seja evitar o contato.
Não seria assim tão pesaroso e cansativo se existisse compatibilidade no momento em que o ponto final foi supostamente posicionado. E por mais que o mundo dê voltas astronômicas e surpreendentes, hoje eu já não posso mais me situar em alguns meses atrás onde meus momentos de ócio eram preenchidos por outra situação.
Se eu ainda tenho tempo de sobra para ser fútil e me interessar por artigos de decoração, tenho mais do que direito de me deixar levar pelas cores e acessórios da moda.
Eu sei que não vai demorar muito pra eu cair do cavalo e todas as minhas sacolas de compras despencarem sobre a minha cabeça, mas apesar de eu ser indecisa em algumas coisas eu consigo ver com clareza quais são meus objetivos.
Eu apenas sinto muito por mesmo após tantas palavras ditas ainda haver tanta instabilidade e falta de senso. Eu somente gostaria de ganhar novos pares de óculos para poder enxergar o que você gesticula e ameaça balbuciar.
Mas algumas coisas nunca mudam. Você continua a querer fazer tudo passar meio despercebido quando eu estou pronta para dar minha cara à tapa e escutar tudo o que você sempre quis me dizer.
Eu apenas lamento por ter que interferir no que me pareceu criar raízes. No que poderia sobreviver e criar sustentabilidade quase como se nada tivesse acontecido. Quem sabe eu até poderia gostar da idéia de sentir o mundo girar embaixo dos meus pés.
Mas não mais. Não agora após a prova dos nove.