Pudim

Já não me importa tanto assim que os planos nunca funcionem como deveriam, até porque eu mesma já aprendi a considerá-los duvidosos.
Mas, não é porque as circunstâncias tomaram um rumo diferente daquele inicialmente esperado, que não possam ser agradáveis. E acrescenta agradáveis nisso.
De longe se foi a época em que eu saia de casa com uma única e infalível companhia para reclamar. Hoje, meus dias estão sendo marcados com muitas risadas e bom-humor, fazendo com que tudo vire piada e planos cada vez melhores.
Com alguns reais, boas amigas, e lugares legais eu pude ter um início de noite incrivelmente americano. Com direito a acolchoado de couro e festas sujas. Festas devidamente sujas e cheias de copos descartáveis vermelhos.
Dias que aparentemente não parecem reservar grandes surpresas e lembranças amáveis (ou melhor, amorosas), tornam-se ainda melhores quando tudo corre perfeitamente bem abrindo espaço para a alegria. Alegria de viver cada momento simples, mas cheio de significado. Alegria de viver cada plano e cada dia que os antecedam. Alegria de simplesmente viver por estar feliz.
Como se cada comentário não tivesse sido incrivelmente cômico, ainda tivemos o momento de decidir entre a partilha do pudim com as amigas, ou a solitária degustação do prato de cocô.
Acima de qualquer sintoma e declaração de carência, não tem jeito: Estou mais do que na fase de dividir o pudim com as amigas, estou na época perfeita para isso.
Feita a escolha, basta planejar as festas quase-americanas – quase, afinal somos limpinhas -, e escolher cuidadosamente o sabor de cada pudim. Escolher, anotar e experimentar.
Afinal, esses você tem que compartilhar com as amigas!

Três, dois, um!

Ativar!
Tudo funciona quase como uma largada, onde em certos dias, como hoje, posso perceber que tudo está apenas começando. E apesar de todos os confrontos entre a ansiedade e a necessidade de extrema paciência que me assombra por toda a vida, eu estou aproveitando cada segundo.

O tempo passou devagar, e cada risada a pilha de copos aumentava. E tudo bem se foi difícil pra levantar da cadeira e captar um ponto fixo!
O banho que eu tomei, iluminado pela luz natural da lua serviu de conclusão: já sei o que quero para parte dos meus dias. Tudo aquilo que eu sempre achei causador de puro disperdício de dias proveitosos, tornou-se característico de boa fama.
Quero mais é que os dias aconteçam, e que venham mais e mais copos de cerveja. Mesmo que isso resulte em confissões desnecessárias…

BeiraMar

Falta pouco para as nove horas da noite, e depois de tomar um banho bem quente e relaxante, bastou eu dar uma espiada porta à fora para me deparar com o horizonte sem fim.
Após um ano sem colocar os pés na areia de uma praia, tendo que me contentar com piscinas de azulejos e campos gramados, o cérebro quase demora para processar a visão do paraíso.
Dias de estresse e um pouco desanimados erroneamente, foram oficialmente passados para trás, quando num ponto alto da estrada eu pude avistar aquele mar esverdeado, estonteamente convidativo chamando pelo meu nome.
É incrível como na praia o vento bate – obviamente – diferente, como o cheiro é diferente e como o céu é mais amplo, abrindo um enorme espaço para o sol.
Não hesitei em vestir meu biquíni, e sem carregar nada além de minhas energias e meus cabelos desgrenhados, corri em direção ao mar. Antes, sentindo meus dedos dos pés afundarem livremente na areia fina e branca.
Aah… O mar! Eu mal podia acreditar que estava boiando naquela água limpa, entre ondas quentes e frias, enquanto observava o céu limpo e os raios de sol pairando sob as árvores, faiscando nas pedras grandes e cheias de musgo.
Foi quase como lavar a alma numa primeira ida ao mar. Ou como a realização de um desejo no dia de aniversário. As circunstâncias simplesmente não podem aceitar, nem permitir a falta de bem-estar. Até porque, esse tipo de ambiante não conhece tal expressão negativa…
Uma caminhada de seis quilômetros pela areia firme e molhada fizeram com que eu sentisse o aconchego penetrar a cada vez que meus calcanhares sofriam impacto. E nem mesmo quando meus poros estavam todos arrepiados com a brisa gélida do mar, eu pude desviar meu olhos do encontro entre o céu e o mar – que apesar de unidos, contrastam em cores gritantes.
O sol ainda teimava em queimar, esquanto o céu tomava colorações diversas a cada segundo, anunciando que o sol preguiçosamente começaria a se pôr.
E num horário em que São Paulo está mergulhado no escuro e no caos, Bombinhas (SC) revela um céu lusco-fusco onde pode-se distinguir a linha perfeitamente reta do horizonte.
O relógio já marca pouco mais de onze horas da noite, e ao espiar pelas persianas posso ver as ondas escuras avançarem a areia, revelando bordas brancas de espuma salgada.
Agora, só me resta encostar minha cabeça no travesseiro sentindo de leve a brisa noturna penetrar pela janela, e dormir… Embalada pelo som calmo, tranquilizante e, ao mesmo tempo incessante, das ondas quebrando de leve. Indo e vindo pela praia.

Gira-gira

Por mais que permanecer por muitos minutos em cima de um gira-gira, possa me ocasionar náuseas, devo dizer que é impressionante a sensação de ver os planos de fundo mudarem a cada fração de segundo.
É assustadora a velocidade como o mundo gira incansavelmente. Se girasse mais que isso, correríamos o risco de cair apesar da gravidade.
Tudo isso só me leva a crer que sofrer antecipadamente e pronunciar a palavra “nunca”, é pura burrice. Só me resta aproveitar esse clima de fim de ano, onde as pessoas perdem seu tempo fazendo promessas e resoluções para abrir meus olhos pra vida. Vida, vi-da. E viver.
E que o mundo gire mais e mais, gire loucamente, intensamente e freneticamente. Porque eu tenho SEDE de viver cada uma das voltas em círculos que ainda estão por vir.

Reunião I

Entre milhões de risadas e mais fantasia do que ações propriamente ditas, iniciou-se a primeira reunião pós filosofia “Viva Las Vegas”. Não há nada que possa ter mais cara de uma madrugada de férias em plena segunda-feira.
É como entrar numa loja de departamentos, e antes de escolher os objetos de decoração, ficar papeando com as comadres sobre qual seria a melhor peça para a cor da sala de estar.
Mas talvez seja um pouco mais complicado que isso. Afinal, objetos de decoração não costumam ter temperamentos instáveis e muito menos orgulho. Mas, principalmente, compradoras de objetos de decoração não costumam serem afetadas diretamente com esse tipo de reação.
Comprar objetos de decoração e seguir à risca táticas da reunião podem ser atividades que cansam e desgastam, mas nada como ter os objetivos iniciais completos e alcançados…

Stand By Me

Não dá nem pra acreditar. Finalmente o trauma do Workbook chegou ao fim. Apesar de todo o alívio de imaginar minhas terças e quintas-feiras livres, já posso perceber que sentirei muita falta.
Depois de cinco anos sofrendo o trauma de não poder dormir após o almoço, e o de contar minuciosamente as faltas anuais, no começo será estranho. Será como ter um buraco nesses dois dias da semana.
Não que eles não possam ser preenchidos com cochilos breves, seriados, e qualquer outra atividade convencional. Preencher duas tardes livres, não será meu problema. Será difícil me acostumar com a idéia de não compartilhar as aulas com as (desde esse ano) sete melhores companhias.
Melhores na hora de compartilhar o fim de semana, as fofocas, os problemas com a escola, os doces, as bolachas recheadas, e até mesmo as poucas lições que a gente fazia. Sem contar as respostas nas provas.
Irei sentir saudades, irei levar sempre vocês comigo. Stand By me.

Mocha

Algumas explosões vêm para o bem. E trazem certo tipo de calmaria e silêncio após toda a confusão.
Esss dias foram todos tão idênticos que às vezes me confundo quando é que cada detalhe aconteceu, fico com a impressão de que esses cinco dias poderiam ser todos um só, com algumas horas a mais de duração. Ou até quem sabe somente com vinte e quatro horas mesmo… Afinal, teria dado tempo de sobra para que as coisas importantes da semana toda acontecessem.
É extremamente insatisfeito da minha parte reclamar de “barriga cheia”, mas o que é que eu posso fazer quando sempre queremos mais? Vestir roupas semi-novas, aplicar maquiagem e pentear os cabelos não está sendo o suficiente quando o que eu gostaria é de estar vestindo saltos, quem sabe pronta para matar.
Sempre fico nostálgica, desesperada, e certo ponto desanimada nessa época do ano. É como se eu tivesse que fazer tudo correndo antes que o ano acabasse, como se o fato de eu ir viajar fosse determinante para que tudo que eu deixei para trás pegasse fogo, no bom sentido.
Mas, tá tudo bem. Tomar café gelado, falar das novas táticas, encontrar munícipes e dar umas risadas é sempre revigorante e válido, mesmo quando os planos foram bem mais sonhadores, maiores e ambiciosos que isso.
O pior ou melhor disso tudo é que eu não perco as esperanças. Além de ter dois dias do fim de semana pela frente, ainda tenho um ano inteirinho me esperando voltar de viagem…

Good People

Conhece aquela história de que os exercícios físicos proporcionam prazer? É inteiramente estranho e contraditório eu assinar em baixo, mas caminhar entre as árvores não pode me levar a outro tipo de conclusão. A dor nos pés, a sensação de formigamento nos dedos e as panturrilhas em chamas perdem força para o bem-estar que é estar entre árvores altas, com raízes grossas e folhas verdes. Trilhada por boas músicas os pensamentos voam longe, e são em grande parte felizes. Chego até a esquecer como está abafado e como o céu está cinza, afinal ainda existem raios de sol às cinco da tarde.

Branco

Pra jogar War eu recebi os pinos brancos por, segundo disseram, serem da cor da yoga. Branco me lembra mais que isso pois me lembra, inclusive, o quão paciente, detalhista e simpática eu preciso ser. Três palavras brancas.
Uma caixa com pinos e pecinhas estranhas aliados a alguns dados, agora só preciso que o tabuleiro com as cartas desafiadoras sejam postos na mesa. Porém, antes mesmo do jogo começar já possuo minha carta com o objetivo. E desta vez a missão é bem mais simples do que derrotar o exército vermelho ou conquistar o Oriente Médio em sua totalidade.
Meu empenho depende da minha manipulação dos peões, mas não é independente da sorte com os dados. E pra essa parte eu sou otimista, até porque nesse jogo todos estão prontos para as marés de azar e principalmente prontos para se divertirem.
Confesso que jogar quando não se tem vontade é sempre uma tarefa pesarosa, mas minhas tardes quentes de férias não me trazem idéias melhores para ocupá-las a não ser aprimorar minhas táticas de blefe. Não passam de frases e atos iniciantes, até porque como já citei à ventura não pretendo me arriscar em jogos profissionais. É muito mais divertido e proveitoso quando se pode jogar no anonimato tendo o mesmo desempenho ao fim do jogo.
Levar o mérito não é a grande graça. Não por princípios que dizem que “o importante é competir”… Algumas vezes, confesso, adoto esse tipo de discurso consolador. Mas, pretendo chegar ao fim de meus objetivos e atingir a última casa do tabuleiro – se ela existir -, pronta para a nova rodada onde os desafiadores não sejam sempre repetições.
Assim, poderei usar como experiência e tática (além de outros benefícios ao ego) todas as jogadas onde eu consegui provar para mim mesma que sim, dá pra ser inteligente e perspicaz.
Alguns jogos arcaicos e primitivos onde eu sou obrigada a manter meu peão firme e forte, não são os melhores passatempos. E costumam destruir todos os bons pensamentos em relação a todo outro tipo de vida do lado de fora. Já fui mais paciente e compreensiva, mas nos dias atuais qualquer ato infrator em relação às regras do jogo que você utiliza para avançar casas me derrubam. E me fazem perceber que em alguns jogos as regras são manipuladas para que sempre haja o mesmo vencedor. Mas o que me fere e abala a estabilidade do meu peão com mais intensidade, é a maneira como você descarta e rouba cartas favoráveis para eliminar jogadores.
Preciso ser o pino branco, para tentar manter o equilíbrio e o tabuleiro sob controle.

Celebration

Essa palavra pode soar exagerada, abusada e até ridícula. Mas tem um caimento incrível, ao meu ver, para as situações marcadas nesse dia.
Quem faz aniversário durante os dias úteis da semana só pode esperar que o fim de semana sirva de comemoração, por mais que tenha havido uma provisória. E mais do que fazer uma comemoração, houve uma celebração. Não só dos tais dezesseis anos de vida, mas propriamente dizendo de uma nova fase de vida.
Confesso que me envergonho um pouco ao lembrar, e principalmente, citar os bloqueios que me sujeitei no início do ano. Quando eu digo que mudei e as pessoas duvidam é porque elas simplesmente não podem sentir a diferença que eu sinto ao me ver sem as paredes que me enquadravam.
Quando a gente percebe que não há muitas escolhas e tem mais é que se arriscar, o campo de visão amplia, e se você souber aproveitar cada uma das situações você cresce. Como eu cresci.
É simplesmente pouco inteligente se deixar levar por modelos estipulados sabe-se lá por quem e impedir a si próprio de viver certas amizades e certos momentos. E quando eu digo que cresci, é porque aprendi que você não precisa ser exatamente como seus amigos e muito menos fazer o que eles fazem. Aceitação e personalidade são duas coisas que andam juntas e podem muito bem serem construídas juntas.
Decorrente disso em alguns pontos (alguns, não todos) eu mudei. Mudei porque cresci, cresci porque mudei. Pode soar confuso ou até mesmo com o mesmo significado, mas além de abrir meus horizontes para as pessoas ao meu redor eu abri os horizontes para mim mesma. Assim, aprendi a começar a me dar as oportunidades de viver e aproveitar como deve ser. Algumas formalidades ainda precisam ser abandonadas, mas nada como uma sexta-feira para servir de formatura.
E essa sexta-feira serviu para eu perceber cada uma dessas diferenças a qual me sujeitei, percebendo que sentirei falta de certas personalidades difíceis que foram importantes para que essa fase fosse alcançada.
Além do mais, serviu – e talvez principalmente – para eu provar somente para mim mesma que certas atitudes não condenam e não prejudicam, além de fazerem bem para uma tal de alto estima.
Ao mesmo tempo que trás benefícios faz com que eu perceba que definitivamente não estou pronta, e nem pretendo, sujeitar-me a algumas decorrências. Aliás, nem preciso.
Tenho completa certeza de que há quem critique e considere tudo isso influência e bla bla bla. Mas eu me sinto bem e acho que tudo isso é pouco, pequeno e até mesmo idiota para que exista explicações.
Claro, não poderia deixar de citar como o mundo dá voltas… Gosto tanto disso!
Ahh, aaaah. Depois da formatura, vem o colégio. E no colégio…