Categoria: Paper Romance
Explosão
Big.
Venda
Tudo de bom
Reunião III
Tudo bem. Eu sempre tive que ser paciente, tento que (quase) não sofro mais de angústia. Esse não chega a ser um “tudo bem” incrivelmente conformado, mas pelo menos não é um “tudo bem” iludido demais.
Ler tudo aquilo que eu já sei, não soa como repetição. É confirmação e alívio. Não me importa mais se falei mais do que deveria, ou menos, ou de um jeito errado…
Nunca precisarei ser o que não sou para chamar a atenção de quem quer que seja, e o principal: nunca precisarei ser estúpida (em vários sentidos) para conseguir o que eu quero.
Encerro minha participação nas reuniões como olheira, afinal, meus planos agora são os de aproveitar cada segundo em que meus pés tocarão a areia da praia, com a mente livre e orgulhosa de tudo o que consegui realizar e mudar em tão pouco tempo.
Os pinos no tabuleiro estão todos dispostos aos mesmos desafios, estão todos no mesmo barco – ou tabuleiro. Agora que o meu peão entrou em recesso – não na cadeia, e sim no paraíso – ficará sem jogar por algumas semanas, mas continuará sólido e otimista. Ainda há muito para jogar, e para vencer.
KiwiSuper
Tarja Preta
Preciso lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros. Ou melhor, talvez seria melhor não lembrar em não me concentrar em ter problemas futuros. Ou talvez para isso seja melhor eu lembrar em não lembrar de precisar lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros.
Uau.
Tudo consiste nos momentos em que minha cabecinha fica sem ter no que pensar. Ou melhor, em que minha cabecinha pensa demais em pensar e em resolver tudo de uma maneira precisa, quadrada e cheia de critérios. Nesse quesito ainda há muito que aprender…
O dia certamente amanhecerá radiante, eu só espero não sentir muito sono e não estar mais tão doente. Sempre fico doente nas horas erradas… Se bem que pensando assim, conclui-se que todas as horas são erradas. Afinal, me diz quando é que eu não estou doente?
Estou praticamente em crise. Estava até agora a pouco sem saber o que escrever mas num surto de confronto pessoal meus dedos começaram a conseguir acompanhar meu raciocínio. Só resta saber se são meus dedos que estão completamente treinados e habilitados a serem eficientes, ou se são meus pensamentos que estão afetados pelo sono e pelo horário já meio tardio.
Ah, preciso de um curso de datilografia, se é que eles ainda existem. Não, não é porque eu acabei de constatar que meu sono está debilitando meus pensamentos, e sim porque o não uso de alguns dedos principalmente da mão esquerda andam me irritando profundamente.
Está vendo só? Eu até tenho no que pensar. O problema é que não consigo não pensar em certas situações, e devo confessar, em certas realizações. Ahh, vai me dizer que não foram realizações?
Fui vencida pela resistência – ou seria insistência?- do meu sono. O melhor a fazer no momento é me deitar, ler um livrinho e dormir pronta pra ter sonhos bons, de preferência não aqueles que me fazem ficar pensante e quase em crise o dia todo a beira de um surto psicótico. Além de exagerada, devo citar.
Tudo bem. Minha última revelação da noite será assumir que sim, eu espero ter essa noite sonhos tão bons quanto os da noite passada. Deixe que causem surtos, crises, contradições e textos gigantescos, afinal ver aquele sorriso, aquelas mãozinhas e aquelas poucas palavras me alimentam e me fazem querer viver esse fim de semana aparentemente arruinado.
Prova dos nove
Isso soa tão frio, mas acredito que a melhor solução seja evitar o contato.
Não seria assim tão pesaroso e cansativo se existisse compatibilidade no momento em que o ponto final foi supostamente posicionado. E por mais que o mundo dê voltas astronômicas e surpreendentes, hoje eu já não posso mais me situar em alguns meses atrás onde meus momentos de ócio eram preenchidos por outra situação.
Se eu ainda tenho tempo de sobra para ser fútil e me interessar por artigos de decoração, tenho mais do que direito de me deixar levar pelas cores e acessórios da moda.
Eu sei que não vai demorar muito pra eu cair do cavalo e todas as minhas sacolas de compras despencarem sobre a minha cabeça, mas apesar de eu ser indecisa em algumas coisas eu consigo ver com clareza quais são meus objetivos.
Eu apenas sinto muito por mesmo após tantas palavras ditas ainda haver tanta instabilidade e falta de senso. Eu somente gostaria de ganhar novos pares de óculos para poder enxergar o que você gesticula e ameaça balbuciar.
Mas algumas coisas nunca mudam. Você continua a querer fazer tudo passar meio despercebido quando eu estou pronta para dar minha cara à tapa e escutar tudo o que você sempre quis me dizer.
Eu apenas lamento por ter que interferir no que me pareceu criar raízes. No que poderia sobreviver e criar sustentabilidade quase como se nada tivesse acontecido. Quem sabe eu até poderia gostar da idéia de sentir o mundo girar embaixo dos meus pés.
Mas não mais. Não agora após a prova dos nove.
Chita
Eu não sei se isso é conseqüência de certeza demais, vontade demais, planos demais… Ou de desgaste demais. Na verdade todas as citações anteriores não passam de meras desculpas esfarrapadas pra fazer com que tudo tenha tido sentido. Afinal, somente um tecido desgastado pode apresentar furos tão rapidamente.
Ao mesmo tempo em que eu pareço estar cheia de segurança ao reproduzir essas palavras, um subconsciente defende pelo menos cinqüenta por cento do meu ser que reluta para sobreviver a essa nova postura de vida.
Por mais que a dúvida tenha pairado em alguns momentos eu também tive extremos de conforto e certeza, daqueles em que a gente quer sair correndo gritando pro mundo e, principalmente, mostrando pra quem tem que saber o que é que a gente está sentindo.
Na verdade, eu devo mesmo é assumir que foi impossível estar coberta de ambas as certezas em todos os momentos. Mesmo naqueles casos onde tudo é extremamente escancarado e demonstrado, sempre há um lado pra fraquejar…
Todas ou nenhuma das circunstâncias simplesmente fizeram com que eu passasse a enxergar certas coisas com outros olhos. Simplesmente não faz sentido eu juntar todas as minhas mobílias e ir para uma casa menor, restrita e nova quando eu ainda não pude mudar e desmudar a decoração da minha casa grande e muito bem arejada, onde todas as manhãs o sol entra radiante.
Tenho pilhas de calendários cheios de dias livres onde ainda posso ser fútil e um pouco infantil, ao ponto de sair atrás de quadros a venda. E pretendo sem medo comprar aqueles da qual meu netos ao menos me ouvirão contar, ou até mesmo aqueles em que ao observar de pertinho a primeira reação seja jogar para as traças no fundo do porão.
O tecido da cortina já recebeu alguns retalhos como emenda, e nesse momento está no cesto de roupas sujas esperando por uma boa lavagem com direito a sabão de coco. Enquanto isso, eu deixo as borboletas entrarem livres pela janela e mesmo que esteja chovendo me recuso a fechar as venezianas.
Não ligo se os respingos encharcarem meu vestido novo de chita. Porque ele faz com que eu me sinta livre para aproveitar cada uma das primaveras.
What a difference a day made, twenty four little hours.
Janelas, portas, borboletas, jaquetas, chuva… Tudo se mistura com o giz de lousa e o 182. Já não sei mais nada, já não quero mais nada.
A cada conjunto de horas em que perco a oportunidade de refletir conforme o sentido de algumas letras, eu mudo de idéia. Mudo de posição, de resolução e de opinião. Já não sei mais qual dos momentos devo aproveitar para me pronunciar. Posso usar o instante errado, e acabar por decidir da maneira errada…
Dez minutos mudaram a ordem das palavras, e a colocação dos pontos finais. Dez minutos mudaram o sentido, o caminho, e o objetivo.
As incertezas só me levam ao nada.