Peripécia

Somente um perfil que não se enquadra a você se preocuparia com blusas, mesmo após uma explosão que assustaria desprevinidos. Mas não, você cumpriu a promessa de uma outra conversa.
Juntei cada uma das evidências, e estou otimista. Basta esquecer os parâmetros que meu subconsciente suplica e me contentar com detalhes que tudo fica claro. Eu não posso exigir uma reação que eu mesma não teria, devo me lembrar a cada segundo que se você fosse sistematicamente programado para mim, não me seria suficiente.
Às vezes nós somos pegos pelo destino, e testados a tentar acertar uma maneira de decidir por si só. Às vezes os resultados demoram a aparecer, e no fim a gente erra pra acertar.

Explosão

Big.

Não me venha dizer que minha incrível mania de resolver tudo calculado é impulso. Já disse, cal-cu-la-do. Cada uma das palavras ditas, mediante permissão, já haviam sido repassadas mentalmente pelo menos uma vez. E não ouse pensar que a cena foi feita para divulgação e compreensão alheia. Se foi, não passa de uma consequência, porque o que eu fiz foi por mim mesma e mais ninguém.
Já não me preocupo com a possibilidade de ter me precipitado, e dito demais – afinal, eu sempre falo demais. Supri cada uma das minhas vontades e necessidades. Cada letra calhou para o momento, para o meu momento.
Aplausos, ou uma calorosa reação eu não esperava. Não conscientemente. Mas, tenho sempre que me lembrar que as vítimas nunca são perfeitamente certas para as minhas explosões. Não tenho do que reclamar, afinal ninguém se levantou do auditório antes do fim.
Agora sim eu posso tentar deixar as coisas acontecerem, mesmo que já tenha interfirido. Só não pense que a situação se inverte, porque no meu mundo não existem situações. Apenas uma realidade alterada por sentimentos inúteis. E nessa realidade você me ajudou a construir cada frase calculada, cada passo para a explosão.
Bang.

Venda

Tire a venda que cobre os seus olhos. A venda que te impede de enxergar o palpável. A venda chamada teimosia, burrice, insistência. A venda característica dos seres humanos.
Mas, porque é que você tem que querer sempre o que não pode ter? Saber essa resposta não é mais suficiente.
Você estaria sendo falsa se abrisse os olhos para o conveniente que não a satisfaz? Você estaria fazendo com os outros aquilo que lhe fazem e causa desapontamento?
Não. Você estaria usando a racionalidade, e um pouco do intelecto do seu ego. E fazer um agrado a si mesma, nunca é demais.

Tudo de bom

Aquele que nada espera, nunca se decepciona. E sinto muito, mas não consigo ser otimista. Não agora.
Certos detalhes me fazem agir como alguém que não quer abrir os olhos para o óbvio. E mais uma vez me prendi na incerteza enquanto algo mais palpável poderia ser conquistado.
Eu contive cada esperança, cada expectativa e cada vontade para que todas as palavras não fossem jorradas em vão. Mas, dessa vez não pude permitir que não afetasse meu humor, afinal, não havia mais pelo que esperar e eu não podia fazer exatamente nada para mudar isso.
Não é minha culpa, pelo menos diretamente, que eu sempre goste do que me parece errado. Enquanto soa certeiro, não atrái. Passou a conter erros, problemas, desvios, dificuldades? Agora sim!
Eu simplesmente não posso permitir que você faça comigo, o que outros estão fazendo com você. Claro que em seriedades completamente distintas, mas com princípios semelhantes.
Ahh, mas como as pessoas são perfeitas de longe. Tudo nela é tão incrível, inclusive cada defeito e cada erro. É como se tudo isso tornasse ela atraente. Eu e minha mania de querer captar cada detalhe, e ser semelhante…
Eu entendi os poucos olhares, que minhas lentes de contato fracas conseguiram enxergar, e entendi o cumprimento digno de maiores de trinta e cinco anos.
E diante tudo isso, eu quase percebo como você tem falta de tato para lhe dar com esse tipo de situação. E quase me deixo levar pela vontade de te ajudar, de captar e abraçar cada problema. Mas eu não posso.
Certas atitudes não coincidiram com o que eu gostaria de ver, mas eu quase agradeço. Por não ser o objeto de distração.
Tudo bem, eu vou dirigindo pra casa. Agasalhada, mas sentindo cada soprada do vento gelado oprimindo minhas lágrimas. Tudo bem, eu havia sido avisada e quis me arriscar. Tudo bem, me comprometo a viver a parte que me cabe, independente de ter dito demais. Tudo bem, eu ao menos tentei.

Reunião III

Tudo bem. Eu sempre tive que ser paciente, tento que (quase) não sofro mais de angústia. Esse não chega a ser um “tudo bem” incrivelmente conformado, mas pelo menos não é um “tudo bem” iludido demais.
Ler tudo aquilo que eu já sei, não soa como repetição. É confirmação e alívio. Não me importa mais se falei mais do que deveria, ou menos, ou de um jeito errado…
Nunca precisarei ser o que não sou para chamar a atenção de quem quer que seja, e o principal: nunca precisarei ser estúpida (em vários sentidos) para conseguir o que eu quero.
Encerro minha participação nas reuniões como olheira, afinal, meus planos agora são os de aproveitar cada segundo em que meus pés tocarão a areia da praia, com a mente livre e orgulhosa de tudo o que consegui realizar e mudar em tão pouco tempo.
Os pinos no tabuleiro estão todos dispostos aos mesmos desafios, estão todos no mesmo barco – ou tabuleiro. Agora que o meu peão entrou em recesso – não na cadeia, e sim no paraíso – ficará sem jogar por algumas semanas, mas continuará sólido e otimista. Ainda há muito para jogar, e para vencer.

KiwiSuper

Domingo é domingo. Até mesmo os de férias tem cara de domingo, mas o que muda é que não sinto aquele terror pela segunda-feira… E olha, já é uma mudança enorme.
Estou um tanto quanto empenhada em algumas tarefas de férias. Tudo se resume em compras de novos artigos de decoração… Mas somente olhar a vitrine tem se tornado uma tarefa massante. E aos fins de semana, ainda mais em época de natal, as lojas tornaram-se lotadas. Fica complicado querer analisar cada peça com cuidado, cada quadro com atenção enquanto milhões de pessoas transitam na sua frente.
O único inconveniente de se aventurar a fazer compras é querer comprar o que você sabe que não precisa, e principalmente, o que não presta. Quadros que custam um preço consideravalmente alto, mas que não são de procedência tão fina e confiável…
Mas, não há quem não concorde que são os mais atrativos na hora de passar pelo caixa! É chato comprar artigos sérios, e que combinam com todas as tendências da moda. Por mais que o preço compense pela durabilidade, enjoa.
Mas, as lojas não ficam abertas de domingo até tarde… Afinal, domingo é domingo.

Tarja Preta

Nada pior que descobrir na sexta-feira que seu fim de semana está aparentemente arruinado. Ok, tudo bem. Eu disse que havia tomado uma postura otimista, agora tenho mais é que assumi-la principalmente nas situações em que tudo indica que não será muito possível.
Preciso lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros. Ou melhor, talvez seria melhor não lembrar em não me concentrar em ter problemas futuros. Ou talvez para isso seja melhor eu lembrar em não lembrar de precisar lembrar de não me concentrar em temer por problemas futuros.
Uau.
Tudo consiste nos momentos em que minha cabecinha fica sem ter no que pensar. Ou melhor, em que minha cabecinha pensa demais em pensar e em resolver tudo de uma maneira precisa, quadrada e cheia de critérios. Nesse quesito ainda há muito que aprender…
O dia certamente amanhecerá radiante, eu só espero não sentir muito sono e não estar mais tão doente. Sempre fico doente nas horas erradas… Se bem que pensando assim, conclui-se que todas as horas são erradas. Afinal, me diz quando é que eu não estou doente?
Estou praticamente em crise. Estava até agora a pouco sem saber o que escrever mas num surto de confronto pessoal meus dedos começaram a conseguir acompanhar meu raciocínio. Só resta saber se são meus dedos que estão completamente treinados e habilitados a serem eficientes, ou se são meus pensamentos que estão afetados pelo sono e pelo horário já meio tardio.
Ah, preciso de um curso de datilografia, se é que eles ainda existem. Não, não é porque eu acabei de constatar que meu sono está debilitando meus pensamentos, e sim porque o não uso de alguns dedos principalmente da mão esquerda andam me irritando profundamente.
Está vendo só? Eu até tenho no que pensar. O problema é que não consigo não pensar em certas situações, e devo confessar, em certas realizações. Ahh, vai me dizer que não foram realizações?
Fui vencida pela resistência – ou seria insistência?- do meu sono. O melhor a fazer no momento é me deitar, ler um livrinho e dormir pronta pra ter sonhos bons, de preferência não aqueles que me fazem ficar pensante e quase em crise o dia todo a beira de um surto psicótico. Além de exagerada, devo citar.
Tudo bem. Minha última revelação da noite será assumir que sim, eu espero ter essa noite sonhos tão bons quanto os da noite passada. Deixe que causem surtos, crises, contradições e textos gigantescos, afinal ver aquele sorriso, aquelas mãozinhas e aquelas poucas palavras me alimentam e me fazem querer viver esse fim de semana aparentemente arruinado.

Prova dos nove

Não adianta insistir em recolocar as cortinas onde estiveram antes de rasgarem se o vento está batendo forte. Ou elas despencam fracamente do varão ou suportam a pressão até desencadearem mais furos, inclusive em cima dos remendos já feitos.
Isso soa tão frio, mas acredito que a melhor solução seja evitar o contato.
Não seria assim tão pesaroso e cansativo se existisse compatibilidade no momento em que o ponto final foi supostamente posicionado. E por mais que o mundo dê voltas astronômicas e surpreendentes, hoje eu já não posso mais me situar em alguns meses atrás onde meus momentos de ócio eram preenchidos por outra situação.
Se eu ainda tenho tempo de sobra para ser fútil e me interessar por artigos de decoração, tenho mais do que direito de me deixar levar pelas cores e acessórios da moda.
Eu sei que não vai demorar muito pra eu cair do cavalo e todas as minhas sacolas de compras despencarem sobre a minha cabeça, mas apesar de eu ser indecisa em algumas coisas eu consigo ver com clareza quais são meus objetivos.
Eu apenas sinto muito por mesmo após tantas palavras ditas ainda haver tanta instabilidade e falta de senso. Eu somente gostaria de ganhar novos pares de óculos para poder enxergar o que você gesticula e ameaça balbuciar.
Mas algumas coisas nunca mudam. Você continua a querer fazer tudo passar meio despercebido quando eu estou pronta para dar minha cara à tapa e escutar tudo o que você sempre quis me dizer.
Eu apenas lamento por ter que interferir no que me pareceu criar raízes. No que poderia sobreviver e criar sustentabilidade quase como se nada tivesse acontecido. Quem sabe eu até poderia gostar da idéia de sentir o mundo girar embaixo dos meus pés.
Mas não mais. Não agora após a prova dos nove.

Chita

Eu já tinha completa consciência de que minha decisão havia sido tomada a partir de critérios emocionais e racionais. Mas eu não sabia que isso poderia atingir níveis extremos ao ponto de perfurar a malha de tom pastel que compõe a cortina das janelas.
Eu não sei se isso é conseqüência de certeza demais, vontade demais, planos demais… Ou de desgaste demais. Na verdade todas as citações anteriores não passam de meras desculpas esfarrapadas pra fazer com que tudo tenha tido sentido. Afinal, somente um tecido desgastado pode apresentar furos tão rapidamente.
Ao mesmo tempo em que eu pareço estar cheia de segurança ao reproduzir essas palavras, um subconsciente defende pelo menos cinqüenta por cento do meu ser que reluta para sobreviver a essa nova postura de vida.
Por mais que a dúvida tenha pairado em alguns momentos eu também tive extremos de conforto e certeza, daqueles em que a gente quer sair correndo gritando pro mundo e, principalmente, mostrando pra quem tem que saber o que é que a gente está sentindo.
Na verdade, eu devo mesmo é assumir que foi impossível estar coberta de ambas as certezas em todos os momentos. Mesmo naqueles casos onde tudo é extremamente escancarado e demonstrado, sempre há um lado pra fraquejar…
Todas ou nenhuma das circunstâncias simplesmente fizeram com que eu passasse a enxergar certas coisas com outros olhos. Simplesmente não faz sentido eu juntar todas as minhas mobílias e ir para uma casa menor, restrita e nova quando eu ainda não pude mudar e desmudar a decoração da minha casa grande e muito bem arejada, onde todas as manhãs o sol entra radiante.
Tenho pilhas de calendários cheios de dias livres onde ainda posso ser fútil e um pouco infantil, ao ponto de sair atrás de quadros a venda. E pretendo sem medo comprar aqueles da qual meu netos ao menos me ouvirão contar, ou até mesmo aqueles em que ao observar de pertinho a primeira reação seja jogar para as traças no fundo do porão.
O tecido da cortina já recebeu alguns retalhos como emenda, e nesse momento está no cesto de roupas sujas esperando por uma boa lavagem com direito a sabão de coco. Enquanto isso, eu deixo as borboletas entrarem livres pela janela e mesmo que esteja chovendo me recuso a fechar as venezianas.
Não ligo se os respingos encharcarem meu vestido novo de chita. Porque ele faz com que eu me sinta livre para aproveitar cada uma das primaveras.

What a difference a day made, twenty four little hours.

Dia vai, dia vem. Vinte e quatro horas mudam tudo, ou não mudam nada. Um dia de cada vez, um degrau de cada vez, um comprimido de cada vez. Com intervalos de silêncios intermináveis…
Janelas, portas, borboletas, jaquetas, chuva… Tudo se mistura com o giz de lousa e o 182. Já não sei mais nada, já não quero mais nada.

A cada conjunto de horas em que perco a oportunidade de refletir conforme o sentido de algumas letras, eu mudo de idéia. Mudo de posição, de resolução e de opinião. Já não sei mais qual dos momentos devo aproveitar para me pronunciar. Posso usar o instante errado, e acabar por decidir da maneira errada…

Dez minutos mudaram a ordem das palavras, e a colocação dos pontos finais. Dez minutos mudaram o sentido, o caminho, e o objetivo.

As incertezas só me levam ao nada.