Nozes

Não preciso ao menos pensar em me enganar, mentir para mim mesma seria burrice demais… É óbvio que grande parte inconsciente nutria esperanças esfarrapadas. Como não foram atendidas, acho até melhor, cair na tentação por falta de orgulho não nutri auto-imagem.
Pra que se preocupar em nutrir imagem quando se tem pessoas de papel, prontas para preencherem lacunas? E eu não ouso me sentir patética por isso, apenas aceito a condição que as próprias pessoas criaram para elas. Aceito e uso, muito bem por sinal. Agora eu posso entender porque algumas pessoas possuem o vício da isca. É extremamente gratificante sentir-se à beira do barco enquanto ainda se está no mar. O ego agradece.

Terra batida

Sinto-me injustiçada e desgastada por ser tomada de surpresa por algo já batido. Mal posso aceitar sua incredubilidade por suas palavras não surtirem efeito. Passa a ser fácil exigir de mim uma postura otimista extrema e, principalmente, desapego quando nunca se está sozinha e em tempos acredita estar morrendo de amor.
É como estar satisfeito e julgar alguém com fome. Inteiramente injusto e sem fundamento. Você se esforça por não falar da sua devida alegria de viver. Algo difícil perto de quem tenta sem sucesso ter alguns dias de conforto e certeza. Muito difícil… Reconheço a boa vontade e dispenso o sermão.
Não me peça para trair a mim mesma. Não me peça para engolir algumas verdades. Porque isso tudo eu posso fazer sozinha.

Abracadabra

Egoísmo. Obviamente esse é um sentimento que leva seres com corações a sentirem inveja.
Sempre me falaram muito sobre inveja como algo unicamente ruim… Não que agora eu me ache capaz de comprovar como a+b que inveja é algo bom. Não me arriscaria nessa matemática barata! Estou mesmo é falando daquela inveja que bate de canto, naturalmente e sem o cruel objetivo de arrancar o utópico dos outros. É puramente um sentimento onde revela-se um reconhecimento de dentro pra fora.
Não posso simplesmente compreender como algumas pessoas conseguem o que querem sem grandes esforços. Enquanto utilizo minhas fichas e meus esforços para ser. Ser e estar.
Quando fecho os olhos para tentar achar alguma resposta convincente, escuto algo sobre tempo, algo sobre ter paciência e esperar. Como quando menos esperar irá aparecer.
Mas, começo a folhear alguns livros para recolher informações. E quando peço ajuda me aconselham a correr atrás. Mas, eu queria saber qual seria a resposta se eu perguntasse sobre o que há de errado. Já me esforcei para esperar, ainda mais para buscar e até mesmo fingi não estar nem aí. E nada.
Cansa bastante viver aos tropeços, onde às escuras vou vasculhando algo para me apegar. Cansa passar cada uma das valetas sem ter pelo que recompensar no final.
Não queria nada muito complicado… Um saquinho cheio de carinho e alguns erros para superar seria suficiente. Algo justo pelo o que eu me esforço. Como cores e borboletinhas.
Não tento repitir e copiar, nem mesmo tento ocultar meus defeitos. Não preciso que me façam promessas, eu apenas me considero merecedora.
Mas e quando não há mais onde inovar e ninguém pode mudar? Não há conformismo, não há como perder o que ainda não se tem.
E temos tão pouco tempo…

Fresco

A respiração já voltou a sua velocidade natural e chorar não marcou mais as nove horas da noite.
O drama excessivo parece finalmente ter desaparecido. E me parece que após muito custo eu consegui aceitar sua naturalidade. E me parece muito melhor desse jeito. Sinto-me como quem passou por uma desintoxicação, e já sente os efeitos de colocar os pés na calçada sem esperar muito de ninguém.
Hoje poderia ter sido completamente diferente, mas não pensa em dizer que poderia ter sido melhor. Meu bem-estar sereno na noite anterior me demonstra um equilíbrio que não precisa muito de impulsos externos.
Já posso sentir quais são os tons de azul mais evidentes. E já posso até mesmo me perceber argumentando contra o que me cerca, ou pelo menos deveria… Olha só, acabei de fazer isso de novo.
Permanecer como está é perda de tempo. Mas, agradeço por ter alguns dias para pensar mais sobre isso…

Azuis

Neste instante minha cabeça está tão cheia de pensar, que mal tenho tempo para pensar na ridicularidade de certos sofrimentos. Estou naquele certo instante onde cada lágrima incessável busca um verdadeiro alívio, e demonstra uma real situação.
Na primeira vez que me vi diante deste dilema eu tinha uma forte posição, apesar da dúvida. Na verdade, aquele instante não era cercado de dúvidas mas, de medo. Tanto que criei todos os argumentos para provar, antes de mais nada, para mim que a minha pura vontade deveria ser a decisão certa.
Agi da maneira como tive vontade e não me arrependo. Porém, não se arrepender não significa não mudar de idéia… E agora aqui estou novamente defronte dois, ou três, tons de azul.
Não nego minha natural parcela de drama, mas não passa a ser tão patético quando ao invés de se tratar de um detalhe, ser referente a uma grande porta na minha vida.
Meses, reais, sentimentos, comodismo e grande empenho. Tudo gira em torno de uma prova. Esta, que separa dois lados da minha vida.
Nunca estive tão confusa. Decidir seriamente nunca me foi tão preciso. Nunca.

Cintos

Agora eu paro e releio cada memória empenhada no diário da minha vida, e só me restam sorrisos contidos quase nostálgicos, mas orgulhosos.
Novamente entro em sanidade, as terças-feiras são inteiramente propícias a isso. Ainda assim, segui o plano a risca, logo no primeiro dia em que foi posto em ação. Afinal a mesma sanidade que me alerta para a insistência não me deixa perder ganchos importantes. Os cintos alinharam a minha coluna e puseram meu corpo em postura confiante.
Mostre-me partes ruins, transpareça defeitos. Deixe-me te insultar e querer me livrar da sua lembrança. Ou não?
Ego, ego, ego. Como meu mundo pode ser completamente egocêntrico? Já reconheci inúmeras vezes o motivo de certos atos, inclusive já me vi fazendo o inimaginável em troca de algumas colheres de mel. Mas, como é que posso me sujeitar a esse dilema pelo simples fato de querer novamente estar por cima?
Enquanto meus dedos buscavam o nome na agenda encontrei uma dúvida: mas qual é o porquê mesmo? Se eu consigo querer algo que não foi bom, não fica nada difícil querer algo que foi bom. E essa observação eu jamais vou esquecer. Mas, toda essa falsa satisfação de ser bem quista vale alguma coisa?
Mudança de planos: abraçar outros fundamentos, contendo-se às vezes. Até porque ninguém aqui duvidaria que com trinta reais e quatro a frente eu conseguiria um dilema diário.
Não vou esquecer da atenção, da identificação, do respeito e do carinho. Mas, a busca incessante já perdeu o rumo e a vida lá fora me espera.
Desprendo-me sem desespero algum, afinal você não me prestaria um favor forçando-se. Se foi fácil te ver quando eu menos esperava, não duvido que você retornará na hora certa.

Rede

Não me condeno por tentar, afinal nunca me permito insistir no que não causa resultado. Não me culpo por pensar em possibilidades mirabolantes que justifiquem a falta de atenção. Não imaginei que existiriam pontos debitados mas, agora que vieram à tona: ótimo! Não espere reação, meus nervos não são de aço.

Periélio

Leia cada uma das palavras dramáticas disponíveis, preste atenção a cada frase de impacto, ou composições desesperadamente sem sentido. Agora, esqueça tudo! Simplesmente desconsidere cada sentimento.
Afinal, em um certo momento eu sou tomada por um sentimento de sanidade, que me faz perceber o quanto a dramatização só causa mais dramatização.
É como pensar num outro âmbito comparativo, onde a vida lá fora é muito maior do que essa redoma clichê. Onde enquanto me afundo em detalhes massantes, a vida se desdobra, e contorcionismos muito maiores são feitos para simplesmente haver vida.
É quando eu percebo que todo esse desespero calculista em ter tudo claro, só ofusca mais a visão. Certos processos da vida foram feitos para acontecerem em partes, degrau por degrau até chegar ao topo. E tentar construir mecanismos que me levem do segundo degrau até o patamar em segundos, já não parece vantajoso.
Viver numa realidade restrita só traz mais atos restritos. Pra que conter vontades simples se no final o que vale são as suas conquistas, e não o que você “heroicamente” deixou de fazer?
Não digo que esses sentimentos sejam puramente fúteis e desnecessários. Afinal, a partir do momento que afeta tem a sua importância. Somos compostos de pequenas e grandes atitudes, com relevâncias sem qualquer equivalência. E como uma criança que sofre intensamente por um brinquedo quebrado, eu estou muito bem no meu direito de sofrer por um caso a parte.
Assim eu fico muito mais leve, muito mais centrada, e muito mais feliz. Pronta para encarar os outros problemas, com certeza muito maiores. E equilíbrio nas prioriedades desencadeia equilíbrio nos pequenos detalhes. E equilibrando os – não menos importantes – detalhes, eu encerro minha busca desesperada pelo o que me apegar.
Sem uma busca desesperada quem sabe eu pare de sonhar demais, e narrar acontecimentos utópicos para embalar meu sono diário. Logo, a necessidade de ter a que se apegar, agarrar-se e ligar freneticamente pode transferir-se a engajamentos mais lucrativos. Funciona como um ciclo eterno, onde a força centrípeta sempre irá atuar. Levando ao centro, ao equilíbrio.
O foco racional, e os pés no chão jamais me deixarão perder a base sentimental. Mas, podem me ajudar a observar cada translação que ocorrer.

Elástico

Falta de ação passada já não me deixa em inércia por muito tempo. E eu odeio ferozmente ter que esperar. Eu tento, tento mesmo. Para não me sujeitar ao disparate de ter que ouvir que as chances não batem na porta de casa.
Não consegui ainda estabelecer um juízo se os seus retornos são bons ou não. A ausência certamente me frustaria mas, a presença me faz continuar a tentar. E tentar te entrega pontos, e você não pode pontuar mais que eu!
Novamente as esperanças são embrulhadas em um saco de veludo cor de vinho, e atirado sete metros a frente. Até lá eu vivo cada dia contendo impulsos, eu sei brincar de ser orgulhosa.

Singles Ladies

Todas juntas e com as mãos para o alto.
Os planos raramente seguem à risca o esperado, e isso já não é mais novidade. Três transforma-se em trinta num piscar de olhos e até mesmo pequenas promessas deixam de serem cumpridas.
Não nego que a tentação foi forte, meus dedos hesitaram por cinco dias e conferiram freneticamente o visor do celular. Mas, tudo bem. Sou eu quem, de fato, saiu ganhando. Afinal de nada adianta cara feia se o que foi feito partiu de uma escolha própria.
O silêncio momentâneo levava à reflexão negativa mas, a ausência de borboletas evidencia a presença de um ego parcialmente satisfeito. Se você notar a naturalidade na indiferença, já me torna amante de mim mesma.

Há alguns anos eu jamais me imaginaria em tal situação, sem saber como falar e como agir. Há alguns anos eu jamais te imaginaria assim, tão…
Cada sorriso sincero e piada tímida pontavam lá dentro, e voltavam como pena e nostalgia por toda a proximidade que um dia existiu.
Nunca é tarde para recomeçar, em cada um dos possíveis significados.

Não sei porque tal nome ainda tem tanto balanço. Na verdade, não passa de uma burra insistência e um carinho voluntário.
Naturalidade na despreocupação é indispensável. Inclusive minha cretina mania de olhar por cima do ombro, bem nos olhos. As passadas de perna geralmente desviam atenção, e de fato, seria interessante servir de bom assunto.

Segurança traz sensação de poder. E poder agora é tudo.