Então, parece que voltei a escrever. Me sinto em débito com o que sempre gostei de fazer e o sentimento de “preciso voltar a escrever” sempre foi mais acompanhado de culpa do que de inspiração. E não que me falte inspiração. Aliás, por mais que a falta de textos por aqui me denuncie, não sinto como se nunca mais tivesse escrito. Quando me perguntam se ainda escrevo, nunca respondo “não, nunca mais escrevi” e sim “sim, de vez em quando, mas só pra mim mesma”. E aqui, o escrever para mim mesma significa quatro rascunhos de textos no blog, nenhum escrito à mão, oito anotações não terminadas no bloco de notas do celular, cinco ou seis textos praticamente prontos na cabeça (alguns há anos) e muitas frases formadas, dormindo e acordando comigo, todos os dias.
Quando comecei a escrever fora da escola, sem ser para as aulas de redação onde eu sempre escrevia mais páginas do que deveria, eu escrevia à mão. Em um caderno com capa feia, do material escolar básico do ensino público, eu escrevi textos enormes, tão cheios de experiências e sentimentos reais, mas nunca vividos. Naquela época, só havia um computador em casa, que ficava em uma área comum da casa. Eu gostava de escrever sozinha, de madrugada, quando o único barulho era o estalar dos móveis de madeira. Eu já tinha entendido que a máquina de escrever não era uma boa ideia, mas sonhava com um notebook. Eu achava que com isso em mãos eu poderia escrever todos os dias. Mas, escrevia à mão. Uma vez por semana, ou sempre que juntava palavras na cabeça. Eu sentava na mesma escrivaninha em que estou agora, colocava um CD no discman, e quase sempre chorava escrevendo. Foi nessa época que eu descobri a importância das palavras não só para expressar, mas para entender o que eu sentia e o que eu era. E muito daquilo tudo eu ainda sou.
Algum tempo depois, entrei na Faculdade de Jornalismo, onde eu sempre achei que escreveria ainda mais. E escrevi, que fique claro. Mas, não sobre tudo o que eu imaginava que escreveria. Fiz longos textos sobre assuntos que nunca me interessaram e alguns outros muito legais, mas sobre argumentos que nem tenho mais. Ainda me restavam momentos em que eu podia escrever pelas paredes, mas no laboratório de informática da Faculdade, ou ainda, no meu tão sonhado notebook, o qual não usei para escrever todos os dias de madrugada. De certa forma, lembro de ter aplicado minha inspiração e me colocado em resumos sobre livros e tantas outras coisas que mexeram comigo. Não escrevi no blog, mas me expressei de outras maneiras. Então, realizei o sonho de escrever meu próprio livro. E por mais amador que tenha sido, pensei e escrevi coisas que nunca imaginei. Certas coisas que guardei na cabeça continuam aqui. Essa experiência valeu mais que qualquer post diário num blog sem leitores (ainda que o livro nem tenha tido tantos leitores assim).
Um ano após ter terminado a Faculdade e enfim ter tempo “livre” para escrever sobre o que bem entendesse, me flagrei em total descumprimento criativo. E mais do que nunca, senti que era hora do exercício do escrever. Por muito tempo eu mantinha uma frase padrão comigo mesma que dizia “se algo não me faz ter vontade de escrever, não me faz sentir”. E nesses últimos tempos eu senti muito daquilo que eu já havia escrito sem nem mesmo saber direito como era e, ainda assim, não escrevi. As letras se misturaram com sentimentos, cansaço e também (vamos admitir) preguiça. Voltei a rever vários rascunhos, anotei no papel as ideias que moram na minha cabeça e parece que estou cheia de planos. E me sinto como a menina de treze anos novamente. Então, parece que voltei a escrever.