Quem é normal morre de tédio. No caos alucinado em que a vida nos engole antes que o dia amanheça, vive mais quem se esgueira, entre passos trêbados de dança, por cada um dos dedos. Como quem desliza, não sem se deixar prender fios do cabelo. Em meio à tanta mediocridade, só quem vive o coração ao extremo é capaz de respirar fundo após dois dias cinzas seguidos, fechar os olhos, e sentir uma felicidade incabível em palavras. Quem não sente, morre de tédio. Mesmo sem nunca ter amado, já sabia o que era o amor. Poesia não precisa fazer sentido. Quem não ama, morre de tédio.