Originalmente publicado em 20 de agosto de 2010.
Abri a boca para falar minhas primeiras palavras naquela manhã comum, sem emoção. E o bolor de um dia-a-dia tão cinza me paralisou por excesso de palavras. Eram tantas conjugações verbais, flexões de gênero e coletivos, que o português aprimorado por anos de estudo e leitura soaram como um estrangeiro desmedido. Tentei seguir as normas e de repente me vi presa a outra, a norma da Língua Portuguesa.
E eu não consigo parar de ver metáforas, afinal foi tudo realmente ordenado. Os verbos que, gramaticalmente, não representam nem efetuam ações são exatamente aqueles que tem feito tudo parecer virado ao contrário. E só por isso já utilizei inúmeros transitores de estados. As dúvidas ultrapassam o uso de acentos em ditongos abertos, e nem mesmo o dicionário consegue achar significados coerentes para cada raio de luz de nome desconhecido. As análises sintáticas não encontram o complemento nominal e eu nem insisto que o sujeito seja, por enquanto, oculto. Nada impede de ser inexistente ou simples. Simples.
Quando eu imagino que os domingos de tédio chegaram ao fim, vejo que os feriados prolongados são ilusórios e a voz reflexiva insiste em ecoar que eu pratiquei e recebi, sozinha, a ação de enganar-me. Ou mesmo quando eu penso ter encontrado um sentido pelo qual quero e preciso seguir, encontro a bifurcação da sinonímia: duas coisas podem ter o mesmo, ou aproximado, significado.
E eu não consigo parar de ver metáforas, afinal foi tudo realmente ordenado. Os verbos que, gramaticalmente, não representam nem efetuam ações são exatamente aqueles que tem feito tudo parecer virado ao contrário. E só por isso já utilizei inúmeros transitores de estados. As dúvidas ultrapassam o uso de acentos em ditongos abertos, e nem mesmo o dicionário consegue achar significados coerentes para cada raio de luz de nome desconhecido. As análises sintáticas não encontram o complemento nominal e eu nem insisto que o sujeito seja, por enquanto, oculto. Nada impede de ser inexistente ou simples. Simples.
Quando eu imagino que os domingos de tédio chegaram ao fim, vejo que os feriados prolongados são ilusórios e a voz reflexiva insiste em ecoar que eu pratiquei e recebi, sozinha, a ação de enganar-me. Ou mesmo quando eu penso ter encontrado um sentido pelo qual quero e preciso seguir, encontro a bifurcação da sinonímia: duas coisas podem ter o mesmo, ou aproximado, significado.
Depois que o eufemismo chega ao fim, eu percebo os erros e os fracassos. Entendo que até o que antes foi neologismo, hoje pode fazer parte da classe de palavras. Mas pior ainda é aceitar aquilo que cai em desuso. Vossa mercê ficaria melhor ainda se tivesse um grupo “gue” ou “gui” pra acrescentar trema. Só para não abrir mão daquilo que fez sentido, pelo medo do novo, de novo.
A Gramática não é a única desnecessariamente complicada, cheia de regras desfeitas sem piedade nos acordos ortográficos, verbos com inúmeras conjugações e contradições. Desde os verbos de ação, até aqueles de predicados nominais: nenhum até hoje me pareceu simples e com manual de instruções. Não há figura de linguagem capaz de impedir que eu me perca e me sinta passada para trás, por todas aquelas regras que eu mal sei quem dita. Não há tradutor de intenções, e principalmente quem saiba o que está fazendo.
Eu também não sei nada disso. Mas sou constantemente tomada pela consciência de que preciso rascunhar e apagar o quanto for preciso. Já que uma folha sem palavras pode significar uma imensidão de palavras em potencial, ou fazer a vez de uma única: vazio.
Eu também não sei nada disso. Mas sou constantemente tomada pela consciência de que preciso rascunhar e apagar o quanto for preciso. Já que uma folha sem palavras pode significar uma imensidão de palavras em potencial, ou fazer a vez de uma única: vazio.
Estar, permanecer, ficar, ser.