All happening

Prólogo

O contar da história é lento, mas o ouvir é apressado. O resumo da obra termina por ser subestimador e coloca o diferencial como fator comum. Entretanto, a história é longa, agregadora, compartilhada.São as músicas preferidas, o jeito de falar e o café da manhã. As manias da adolescência e os ídolos do rock que levaram ao jeito de se vestir. Os lugares que levam a você, a mania de arrumação e as caixas de remédio.

Do despertar ao deitar. O primeiro dia, a nota baixa, o atraso no emprego e um cd novo. A fantasia de astronauta que somente a mãe acha bonito te ver usando. É o meu número, afinal.

Eu-lírico

Eu já quis correr contra o vento ou a favor da maré. Pensei que nada fosse passar e tudo passou. Achei que não podia levar nada disso a sério, esqueci de ter expectativas e de repente ouviu-se o sussurro ao pé do ouvido: It’s real, baby.O começo tão improvávell, o futuro distante que se aproximou de um jeito tão errado que acabou por ser o jeito certo. Quando eu achava que fazer minhas vontades e colocar os sentimentos à prova era me ser pelo bem e pelo mal para me ser, por ser, descobri que me fui esse tempo todo sem perceber.

Cada palavra não dita, cada teoria guardada na gaveta deixou o tempo agir naturalmente. E trouxe tudo que deveria trazer na hora certa. Nada do que é vivido hoje se baseia em certezas concretas nem nunca se baseará. Mas a questão definitiva é prender-se no que foi construído e não no que poderá vir.
Nunca me fui tanto do jeito que eu quis ser. Encontro duplo, simultâneo e sincronizado. Dos.

A obra

Não se trata de injeções de alegria, doses homeopáticas ou doses cavalares de seis em seis horas. É um constante e permanente estado de felicidade. Sincera e clandestina.Tão clandestina que transborda para fora do recipiente. Pelo simples fato de ouvir as botas baterem forte no chão ao caminhar. Tão clandestina que corre riscos por ser quase irregular. Chutei todas as regras para longe e vomitei para fora as cores e as texturas que furtei esse tempo todo.

Foi quando arrumei os meus cabelos frente ao espelho e vi que não se tratava de um espelho. Era simplesmente a minha imagem refletida numa pessoa tão semelhante a mim que eu precisava de placas penduradas no bolso da camisa identificando, pelo sobrenome, quem era quem.

O modificar, também clandestino, do outro acaba por voltar-se para dentro. O que eu quero mudar não é justamente o que me falta? Mas, quando foi que você se tornou o que eu sou? Ou melhor, quando mesmo eu me tornei quem você é?

Aprendi nesse tempo o charme por trás de uma risada no lugar de uma resposta longa, explicativa e massante. É tarde demais para procurar as respostas. It’s all happening and I don’t wanna change fucking anything.

Epílogo

Enquanto houver fôlego. Piadas boas e os acordes repetidamente viciados. Na verdade, nós não somos o mesmo. Apenas nos tornamos o mesmo quando. Quando estamos. Juntos.

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