Prólogo
O contar da história é lento, mas o ouvir é apressado. O resumo da obra termina por ser subestimador e coloca o diferencial como fator comum. Entretanto, a história é longa, agregadora, compartilhada.São as músicas preferidas, o jeito de falar e o café da manhã. As manias da adolescência e os ídolos do rock que levaram ao jeito de se vestir. Os lugares que levam a você, a mania de arrumação e as caixas de remédio.
Do despertar ao deitar. O primeiro dia, a nota baixa, o atraso no emprego e um cd novo. A fantasia de astronauta que somente a mãe acha bonito te ver usando. É o meu número, afinal.
Eu-lírico
Cada palavra não dita, cada teoria guardada na gaveta deixou o tempo agir naturalmente. E trouxe tudo que deveria trazer na hora certa. Nada do que é vivido hoje se baseia em certezas concretas nem nunca se baseará. Mas a questão definitiva é prender-se no que foi construído e não no que poderá vir.
Nunca me fui tanto do jeito que eu quis ser. Encontro duplo, simultâneo e sincronizado. Dos.
A obra
Foi quando arrumei os meus cabelos frente ao espelho e vi que não se tratava de um espelho. Era simplesmente a minha imagem refletida numa pessoa tão semelhante a mim que eu precisava de placas penduradas no bolso da camisa identificando, pelo sobrenome, quem era quem.
O modificar, também clandestino, do outro acaba por voltar-se para dentro. O que eu quero mudar não é justamente o que me falta? Mas, quando foi que você se tornou o que eu sou? Ou melhor, quando mesmo eu me tornei quem você é?
Aprendi nesse tempo o charme por trás de uma risada no lugar de uma resposta longa, explicativa e massante. É tarde demais para procurar as respostas. It’s all happening and I don’t wanna change fucking anything.
Epílogo