Você tem meia hora

Logo a janela que eu queria aberta é a única que permanece fechada. Todo sol que penetra pelas outras quatro não fortalece meus ossos e não ilumina o quarto, que além das venezianas parece haver uma cortina bem escura e grossa. Não é questão de tempo. Esperar os dias correrem soa como uma doce melodia, que embala os passos logo cedo na grande avenida. O coração palpitante mal pode segurar o sorriso querendo abrir. Esperar é pouco. Eu poderia ser ainda mais após a força de uma palavra, eu poderia oferecer muito mais após a certeza de duas palavras. O orgulho de quem caminha de cabeça erguida frente ao leque de possibilidades, de pratos postos na mesa e convites solenes. Enquanto todo o resto simplório não se torna menos. Uma vida inteira bem servida pela frente.

Mas os dedos estão congelando ao tocar a geada cobrindo as folhas do jardim. E não vai mudar. A única janela que eu queria aberta é a única emperrada e impossível de abrir.

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