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E quando foi que nós nos perdemos? Não vejo um divisor de águas, um copo a mais ou uma tragada a menos que tenha mudado nossas verdades. Então o que é a verdade? Algo que muda ao longo dos dias não pode ser exato, racional e iniludível. A constante permutação de tudo aquilo que abraçamos e defendemos com unhas e dentes exclui o conceito de veracidade nos primeiros pré-requisitos. Então, diga-me, o que é a verdade?

Foi no momento em que eu abri uma janela que você fechou outras duas? Ou foi quando eu tapei o sol com a cortina que você se protegeu com óculos de sol?

Quando tudo que fez parte parte do meu passado caiu em ruínas, que mal servem como boas lembranças, acreditei na ilusão de que você permaneceria aqui. E de repente eu ouço você me pedir “por favor”, como se sete anos se reduzissem a nada.
Vejo um muro divisor. Grande em todos os sentidos (assumo todo o rancor comparativo), mas ainda assim pequeno. Pequeno de positividade, pequeno de atitudes e situações concretas. Transbordando de sonhos utópicos, alegóricos. Sonhar tem sido pouco.

Ainda que eu me veja coberta pelo sagrado manto da razão, não esqueço o outro lado da moeda. A coroa me incentiva enquanto a cara me mantém com os pés no chão. Basta virar a moeda para que eu seja exibicionista, vulnerável, e mais uma. Enquanto você é quem tem o real valor, quem a mãe passa a mão na cabeça enquanto consola, que o mundo é sim ruim, mas quem é realmente bom tem seu lugar guardado. Você tem todo o talento do mundo, cabeça forte, personalidade e apoio familiar. A idiota aqui, sou eu. Eu quem faço tudo errado.

Dia-a-dia me consumo em favores da qual nunca fui obrigada ou recompensada. Fico articulando palavras e tentando me colocar numa gaveta que não caibo mais. Até uma criança já teria resolvido seu problema dividindo suas canetas coloridas novas pra cativar amizades. E eu continuo a passar, dia após dia, pensando quando é que isso vai acabar.
Mais quatro, cinco, seis anos é mais do minha capacidade apaziguadora pode suportar. Até lá, tudo o que permaneceu entalado, como biscoito água e sal, terá me transformado no que eu sei que não sou, e que não preciso ser relembrada.

Que assim seja. Assumo a imbestilidade ou qualquer desgraça que me for classificada, com um dedo indicador que só desqualifica. Por alguém que separa por defeitos, e que o melhor é menos pior.
Acima de qualquer discurso furado de quem acha que venceu mais uma batalha: cada passo que me afastou de você, e que aproximou a muralha das lamentações, me fez bem e satisfeita. Não me arrependo de cada passo novo, e de cada pedaço que me coloca onde eu quis. História de vida.

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