Certa vez me disseram que pouquíssimas pessoas conseguem se realizar inteiramente num ofício, não duvidei. Pelo contrário, custei a acreditar que poderia um dia conhecer uma dessas pessoas. Em qualquer ambiente de trabalho é automático identificar os infelizes. É ridícula a facilidade em encontrar pessoas que se sentem, literalmente, em um “tripalium”.
Além dos completos descontentes, existem os conformados. Ou são aqueles que, depois de muito custo, se acostumaram com a rotina, ou aqueles que deixaram de ver prazer no que fazem após certa desilusão. Algumas pessoas passam a vida toda procurando o amor de suas vidas, ou até mesmo sem saber que não o encontraram. Com a vocação profissional não pode ser tão diferente.
Certas pessoas, por inúmeros motivos, não conseguirão encontrar sentido no que fazem, ou não encontrarão algo que faça sentido, e pior, podem não perceber que não são felizes no que fazem. Acredito que tudo também dependa do estado de humor também. Após um engarrafamento de três horas, uma reunião estressante ou prazos curtos para cumprir tarefas, qualquer um pode reclamar (baixinho ou aos berros) que escolheram a profissão errada.
Porém, poucos nascem com o dom de amar o que fazem, encontrando energia em difíceis tarefas, exalando brilho nos olhos. Algumas profissões são mal interpretadas, classificadas como castigo e penitência. Mas geralmente guardam uma essência rara, que somente quem ama o que faz pode enxergar e sentir.
Enfim conheci alguém que vive para o que faz. Cada dia é marcado por motivação, paciência, educação e otimismo. Cada nova aula é de fato uma aula de esperança de que o ser humano é capaz de construir uma convivência sadia e igualitária. Parte de cada um aproveitar, ou ignorar. Dependendo do ponto de vista tudo não passa de enrolação e desperdício de tempo. Pobre de quem perde a chance de sentir, tão de perto, a pureza de alguém que ama o que faz.
Aqueles treze minutos fizeram a felicidade de quem estava farto dos números, a alegria de quem sentia sono e a distração de quem se dispôs. Crianças falavam numa língua estranha, tijolos estavam sendo feitos enquanto a professora pedia que fossem à aula. Celular, torre? Substantivos simples eram abstratos e utópicos para aqueles pequenos, que mal podiam concluir o efeito de suas vidas na humanidade.
Boas metáforas, fortes mensagens e várias interpretações. Tudo corria como o padrão, até que fui surpreendida pela pausa na fala. Olhei na direção e lágrimas estavam sendo contidas, sem sucesso. Aquele impulso involuntário foi além de um bom coração ou sentimentalismo. Ele traduziu uma alma apaixonada, que não vê diferenças, apenas desigualdades. A alma pura de quem sonha com a mudança, tem como sonho formar bons cidadãos. Uma alma que chora por ver falhas, por ser desiludida e rasgada pelas garras da imperdoável verdade.
Um pedido de desculpas e palavras soltas antecederam um silêncio respeitador e rico. Encontro motivação no que você faz. Não comparo à perfeição, mas sigo de exemplo como é dedicar todo o seu amor a quem nem mesmo sabe disso. E quem agradece aqui, sou eu.