It’s about time

Não adianta insistir. Quando eu não quero uma coisa e acredito nessa ideia, nem mesmo uma outra ideia de que o contrário seria o melhor consegue parecer, para mim, suficientemente melhor ao ponto de passar a querer o que antes eu não queria.
Poderia ser mais simples que isso. Mas seria fingidamente prático da minha parte resolver tudo de maneira tão certeira. Por mais confusa, indecisa e contraditória que eu possa ser, no fundo sempre permanece um broto dormente que indica o que poderia ser fatal. Confortavelmente posso me excluir de toda a culpa por ser tão difícil: não estou sozinha. Talvez ajude perceber que o instinto natural do ser humano é fugir do que pode lhe fazer bem, desde que o bem esteja em completo desacordo com a vontade inconsciente. Ajuda, mas não resolve. Ter aceitado todos os conselhos e feito o completo contrário poderia me livrar do peso das minhas decisões. Mas ainda não resolveria. Inclusive poderia ser ainda pior.
E eu estava ciente de que essa responsabilidade viria a cair sobre meus ombros, eu assumi o peso por não saber ser inconsequente e precisar, a todo momento, encontrar sentido dentro de mim para o que faço. Esse mesmo sentimento de busca agora me perturba, e me faz querer tudo o que abri mão, numa simples vontade de tomar dessa água.
Talvez eu não fosse tomada pela ansiedade se te conhecesse melhor e soubesse como jogar o seu jogo. Talvez eu não fosse tomada pela angústia se te conhecesse menos, e não soubesse que você não usa jogos, e muito menos sabe usá-los.
O pacote de sementes, que encontro em todos os lugares, poderia ser útil se eu soubesse como usá-lo. Mas a ansiedade me cega, e eu já não consigo saber se estou em busca do que faria germinar, ou apenas do que faria florescer. As últimas flores brotaram coloridas, e poucas até mesmo perfumadas. Flores morrem, ficam murchas e perdem a graça. Um broto que germina está fadado a crescer, a realizar respirações continuamente e alimentar-se com fotossíntese. Mas eu não sei para qual efeito a terra está favorável.
Os feixes de luz coloridos, que antes passaram despercebidos, agora podem fazer a gema apical mudar de sentido. Tudo pode estar prestes a mudar, ou a permanecer tediosa e superficialmente igual. As flores costumam ser tão bonitas que cansam, tão perfumadas que enjoam. No meu outono talvez não haja lugar para elas. E está na hora, de fazer com que algo no jardim seja meu.

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