Não é sede por piedade que me faz tomar as dores dos outros. Devo ter herdado da minha mãe esse tal coração mole que quase gosta de passar por cima dos próprios batimentos para zelar pelos dos outros. E repito: nada de piedade.
Mas nada posso fazer se uma tarde pacata, um pouco fria e com alguns raios de sol tornou-se um dia cheio de voltas. Com todos os devidos personagens presentes, qualquer roteirista romanticamente normal, e clichê teria dado continuidade lógica para a trama. Porém, o destino quis surpreender os telespectadores logo hoje… E o frio aumentou diretamente proporcional aos acontecimentos.
Entre pequenos intervalos serenos para conversar, eu mantia-me aquecida com minha blusa, e ainda meio encoberta com a falsa sensação de que o que me espera não estava naquele loteamento. Pensando que talvez a sorte teria se voltado para mim.
A situação mudou, e eu desviei os pensamentos para cada fagulha de informação que eu coletava. Não me disseram como reagir, logo meu senso me tornou perspicaz o suficiente para atacar de João. Cada uma das frases rapidamente calculadas eu guardei em arquivos, sem analisar profundamente pois naquele instante eu visava quantidade, para depois despejar numa mesa e transformar em qualidade. Antes de qualquer atitude eu já me perguntava como contar isso a quem realmente precisava saber, depois do ato consolidado eu já misturava raiva com pena e transparecia desaprovação.
Em outro cômodo outra vida que zelo, ainda mais eu diria, passava por altos e baixos numa confusão de passado mal curado com presente misturado. No fim, me vi sentada em meio a pessoas que não fazem parte da minha vivência, pensando naquele acúmulo de problemas alheios prestes a sugar minhas energias.
Fugir foi uma boa tática. Ainda mais depois de um dia que já havia começado agitado, com exames, remédios, soro e agulha, tudo devido a um emocional à flor da pele.
Apesar das canções perdidas, as letras que restaram continham as palavras que calharam adequadas à situação. Não demorei em observar o céu escuro ao cantar a música escolhida a dedo.
Nem sempre vencer é a melhor saída, manter a cabeça erguida e consciente do meu melhor é um bom começo.
“Faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz” (Los Hermanos)