Baú

Chega a ser toscamente clichê, mas é inacreditável como o que um dia foi a última novidade em pouco tempo torna-se ultrapassado. Inclusive me pego imaginando se um dia serei um casal cafona, ou uma solteira chata.
Basicamente três gerações que freqüentaram e aprenderem tudo o que havia de errado no mesmo lugar, estavam juntas. Três conceitos do que é ser uma pessoa legal, três conceitos e duas vivências de como é a vida adulta.
Eu cresci acompanhando a infinita ascensão dessas pessoas modernas. Elas sempre foram legais, atualizadas e impecáveis. Como se fossem casar, ter quatro filhos, um emprego de dar inveja e continuassem a serem as pessoas que ditam o que é passar vergonha e quem define qual lugar deve ser badalado e onde era é freqüentado.
Mas, o papel estranhamente se inverteu. Vejo que aqueles perfis não são mais parâmetros do que um dia eu quero ser. Agora quem é legal aqui sou eu, eu que conheço os lugares que todo mundo quer ir. Sou eu quem sabe na ponta da língua quais são as bandas do momento. E isso está naturalmente certo.
Mas, isto é quase um segredo. Ou quem sabe uma verdade imperceptível aos olhos deles. Afinal, eles ainda acreditam que eu seja uma pessoa bem mais nova, que ainda tem muito aprender. E eles certamente ousariam dizer que os lugares que frequento não são tão legais perto daqueles que eles costumavam ir. Eles nunca se darão conta de quem está nessa fase agora sou eu. E isso está naturalmente certo.
Eu logicamente vou dizer que não me permitirei ser cafona, mesmo quando o mundo tenha novas tendências. Minha época sempre terá sido a melhor de todas, e as novas bandas serão completamente fracas.
E isso? Está naturalmente certo.

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