Cintos

Agora eu paro e releio cada memória empenhada no diário da minha vida, e só me restam sorrisos contidos quase nostálgicos, mas orgulhosos.
Novamente entro em sanidade, as terças-feiras são inteiramente propícias a isso. Ainda assim, segui o plano a risca, logo no primeiro dia em que foi posto em ação. Afinal a mesma sanidade que me alerta para a insistência não me deixa perder ganchos importantes. Os cintos alinharam a minha coluna e puseram meu corpo em postura confiante.
Mostre-me partes ruins, transpareça defeitos. Deixe-me te insultar e querer me livrar da sua lembrança. Ou não?
Ego, ego, ego. Como meu mundo pode ser completamente egocêntrico? Já reconheci inúmeras vezes o motivo de certos atos, inclusive já me vi fazendo o inimaginável em troca de algumas colheres de mel. Mas, como é que posso me sujeitar a esse dilema pelo simples fato de querer novamente estar por cima?
Enquanto meus dedos buscavam o nome na agenda encontrei uma dúvida: mas qual é o porquê mesmo? Se eu consigo querer algo que não foi bom, não fica nada difícil querer algo que foi bom. E essa observação eu jamais vou esquecer. Mas, toda essa falsa satisfação de ser bem quista vale alguma coisa?
Mudança de planos: abraçar outros fundamentos, contendo-se às vezes. Até porque ninguém aqui duvidaria que com trinta reais e quatro a frente eu conseguiria um dilema diário.
Não vou esquecer da atenção, da identificação, do respeito e do carinho. Mas, a busca incessante já perdeu o rumo e a vida lá fora me espera.
Desprendo-me sem desespero algum, afinal você não me prestaria um favor forçando-se. Se foi fácil te ver quando eu menos esperava, não duvido que você retornará na hora certa.

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