Carreteiro

Toda a energia e falsa sensação de liberdade encerram-se assim que atravesso a rua embaixo de uma garoa fina. E nenhum outro clima poderia ser mais propenso a isso.
Todos os acenos que faço para pedir calma já estão cansados e repetitivos. É como tomar café com leite todas as manhãs, mas sem o gosto adocicado.
Na presença de estranhos as pessoas tentam manter o controle por mais tempo e seguram alguns impulsos. Mas, mesmo assim ninguém pode esconder a essência de uma casa.
Isso me chateia. Não tanto por ser diferente, mas sim por ser desconhecido. Cinco minutos são suficientes para eu voltar ao juízo e correr ao armário de armaduras.
Em algum momento a realidade volta à tona, e isso nunca muda.

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