Branco

Pra jogar War eu recebi os pinos brancos por, segundo disseram, serem da cor da yoga. Branco me lembra mais que isso pois me lembra, inclusive, o quão paciente, detalhista e simpática eu preciso ser. Três palavras brancas.
Uma caixa com pinos e pecinhas estranhas aliados a alguns dados, agora só preciso que o tabuleiro com as cartas desafiadoras sejam postos na mesa. Porém, antes mesmo do jogo começar já possuo minha carta com o objetivo. E desta vez a missão é bem mais simples do que derrotar o exército vermelho ou conquistar o Oriente Médio em sua totalidade.
Meu empenho depende da minha manipulação dos peões, mas não é independente da sorte com os dados. E pra essa parte eu sou otimista, até porque nesse jogo todos estão prontos para as marés de azar e principalmente prontos para se divertirem.
Confesso que jogar quando não se tem vontade é sempre uma tarefa pesarosa, mas minhas tardes quentes de férias não me trazem idéias melhores para ocupá-las a não ser aprimorar minhas táticas de blefe. Não passam de frases e atos iniciantes, até porque como já citei à ventura não pretendo me arriscar em jogos profissionais. É muito mais divertido e proveitoso quando se pode jogar no anonimato tendo o mesmo desempenho ao fim do jogo.
Levar o mérito não é a grande graça. Não por princípios que dizem que “o importante é competir”… Algumas vezes, confesso, adoto esse tipo de discurso consolador. Mas, pretendo chegar ao fim de meus objetivos e atingir a última casa do tabuleiro – se ela existir -, pronta para a nova rodada onde os desafiadores não sejam sempre repetições.
Assim, poderei usar como experiência e tática (além de outros benefícios ao ego) todas as jogadas onde eu consegui provar para mim mesma que sim, dá pra ser inteligente e perspicaz.
Alguns jogos arcaicos e primitivos onde eu sou obrigada a manter meu peão firme e forte, não são os melhores passatempos. E costumam destruir todos os bons pensamentos em relação a todo outro tipo de vida do lado de fora. Já fui mais paciente e compreensiva, mas nos dias atuais qualquer ato infrator em relação às regras do jogo que você utiliza para avançar casas me derrubam. E me fazem perceber que em alguns jogos as regras são manipuladas para que sempre haja o mesmo vencedor. Mas o que me fere e abala a estabilidade do meu peão com mais intensidade, é a maneira como você descarta e rouba cartas favoráveis para eliminar jogadores.
Preciso ser o pino branco, para tentar manter o equilíbrio e o tabuleiro sob controle.

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