Encontro

É mais que comum ouvir alguém falar sobre o quanto as despedidas são tristes. Principalmente nos filmes românticos, lindos e chorosos as despedidas chegam a doer em quem assiste de tão sentimentais e sofridas que aparentam ser.
Mas eu particularmente nunca passei por situações de despedidas tão avassaladoras desse jeito. Nunca sofri mais que amigos na rodoviária e último dia de aula – que não chega a ser uma despedida propriamente dita.
Na verdade, minhas despedidas em rodoviárias são divididas em dois blocos. Um em que as lágrimas foram de premeditação e na segunda fase foram suspiros de alívio, e outro bloco onde as despedidas são marcadas com abraços e sorrisos. E é deste que eu gosto.
Não que eu goste e seja a coisa mais agradável do mundo ver uma grande amiga entrar num ônibus que irá, mais uma vez, nos separar com cinco horas de viagem. Mas nossas despedidas são sempre tão positivas e sem sofrimento, que chega a ser engraçado.
Tudo não passa, mais uma vez, de uma porção de otimismo. Não há motivos para eu me afundar em prantos quando eu sei que a distância será um detalhe, muitas vezes chato, mas pequeno. Esse tipo de despedida é um tanto quanto otimista pois me traz a sensação de que outros bons momentos estão por vir. Afinal, não há como a pessoa retornar e trazer um monte de alegria se primeiro ela não partir.
Como diz a música de Milton Nascimento: “O trem que chega/ é o mesmo trem da partida/ A hora do encontro/ é também despedida”,
e se eu preciso escolher entre duas dessas palavras, realmente escolherei encontro. Pois só ela pode resumir a positividade da despedida e a certeza de que nem mesmo uma situação melancólica pode afastar e impedir a alegria de voltar, ou melhor, de ter de volta.

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